Por Erica Santini — Ciao, viajante. Há um cheiro diferente no ar nas chegadas dos aeroportos britânicos: não é o perfume dos duty‑free, mas o som de carteiras sendo abertas com mais frequência. Nos últimos anos, os principais aeroportos do Reino Unido têm vindo a subir as taxas cobradas aos condutores que deixam passageiros junto às partidas — a área conhecida como drop‑off ou kiss and fly.
Os últimos exemplos chegam da Escócia. A AGS Airports, que gere Glasgow e Aberdeen, aumentou o acesso de 15 minutos às zonas de embarque para 7 libras (cerca de €8,40). Em Glasgow, quem superar os 15 minutos enfrenta ainda uma taxa premium adicional à saída — uma medida que, na prática, transforma uma despedida rápida num custo inesperado.
A tendência já vinha de antes. No início do ano, o aeroporto de Bristol passou a cobrar 8,50 libras (€10,20) por 10 minutos no parque Drop Off & Pick Up junto ao terminal, bem como no Short Stay, a poucos minutos a pé. Gatwick, em Londres, aumentou a sua taxa de kiss and fly para 10 libras (€12) por 10 minutos, tornando‑a a mais cara do país. Outros hubs londrinos também praticam preços elevados: Stansted, Luton e Heathrow cobram 7 libras (€8,40) por 10 minutos, enquanto o London City aplica 8 libras (€9,60).
No resto do país há variações. Manchester exige 5 libras (€6) mas limita a paragem a apenas cinco minutos; Leeds cobra 7 libras (€8,40) por 10 minutos. Entre os poucos aeroportos com opções mais tolerantes estão Birmingham, que só começa a cobrar após 10 minutos, e Inverness, que mantém 15 minutos gratuitos.
A AGS apontou a subida dos custos operacionais como justificação para o aumento das tarifas. Mas, para muitos viajantes e famílias, a prática gera frustração: os transportes públicos nem sempre são uma alternativa viável, sobretudo em aeroportos fora da Grande Londres, onde localizar malas, crianças e horários implica uma logística que nem sempre combina com comboios e autocarros.
Clive Wratten, da Business Travel Association, disse à BBC que os aeroportos estão a “acionar o mecanismo de receita mais fácil” ao subir as tarifas de estacionamento. “Expulsar as pessoas da zona de embarque à porta do terminal através dos preços não torna, de um momento para o outro, os transportes públicos viáveis; limita‑se a transferir mais custos para os trabalhadores, as empresas e os taxistas”, afirmou.
O descontentamento encontra ecos nas redes e nos fóruns: um comentário no site Business Traveller chamou a prática de exploração dos consumidores e defendeu que deveria ser revista como questão de interesse público.
Este cenário contrasta com muitos aeroportos europeus, onde as áreas de kiss and fly continuam frequentemente gratuitas ou de baixo custo. Em Veneza Marco Polo é possível parar em frente ao terminal sem pagar até 20 minutos; em Milão Malpensa há uma zona de espera gratuita entre os terminais 1 e 2 com permanência até 60 minutos; e aeroportos como o de Liubliana também oferecem opções gratuitas para deixas rápidas.
Andiamo: a viagem começa antes mesmo de cruzarmos o pórtico de embarque. Para quem ama o Dolce Far Niente de um adeus breve no carro, estas mudanças nos preços alteram a coreografia das despedidas — e fazem soar um alerta para a acessibilidade dos aeroportos. Enquanto as tarifas sobem, resta aos passageiros decidir entre pagar por um adeus à porta ou reinventar a última milha com alternativas mais longas e, muitas vezes, menos confortáveis.
Se você vai partir ou receber alguém, planeje com antecedência: verifique as regras do aeroporto de destino, considere o tempo limite gratuito (se houver) e, quando possível, combine um ponto de encontro a poucos minutos a pé do terminal para evitar surpresas na conta. Buon viaggio e que as despedidas sejam curtas e doces.






















