Por Marco Severini — Confirmada oficialmente pela Casa Branca, a reunião entre os Estados Unidos e o Irã foi agendada para sexta-feira em Muscat, capital do Oman. O encontro, orientado à retomada de temas sensíveis — em especial as negociações sobre o programa nuclear — representa um movimento decisivo no tabuleiro diplomático do Oriente Médio.
Fontes oficiais informam que empresários e intermediários políticos, entre eles Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Trump, deverão viajar hoje ao Catar, após a etapa em Abu Dhabi dedicada à crise ucraniana. A delegação seguirá então para o Sultanato do Oman para as conversas agendadas no dia seguinte.
Nas últimas 24 horas houve ruídos e contradições: relatos israelenses indicavam que os contatos previstos em Istambul tinham sido cancelados porque o Irã teria se retirado dos entendimentos. Ao lado dessas notícias, o próprio presidente Trump fez uma declaração pública de tom ameaçador direcionada ao líder supremo, Khamenei, afirmando que este “deveria estar muito preocupado agora”.
Em entrevista à NBC News, o presidente americano reiterou que, se o Irã tentar retomar o seu programa nuclear, os Estados Unidos não hesitarão em “enviar de novo os caças”. Na leitura estratégica de Washington, segundo o mandatário, a estabilidade regional e uma paz duradoura no Oriente Médio passariam por neutralizar as capacidades nucleares iranianas.
Mais tarde, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, confirmou o encontro, informando que as negociações nucleares com os Estados Unidos estão programadas para ocorrer em Mascate às 10h de sexta-feira. Araghchi agradeceu publicamente ao governo omanita pela logística e segurança providenciadas para viabilizar as conversações.
Antes da nota oficial da Casa Branca, um funcionário americano havia confirmado à Reuters que os diálogos seriam realizados na sexta-feira — um detalhe que dissolve, por ora, as incertezas sobre local e calendário. Ainda assim, a cena diplomática segue permeada por tensões: ameaças públicas de retaliação, relatos de recuos e a intervenção muscular das potências regionais compõem um cenário onde os alicerces da diplomacia são testados.
Como analista, observo que este momento configura um redesenho de fronteiras invisíveis na arquitetura de poder regional. O deslocamento das conversações de Istambul para Muscat não é mero ajuste logístico; é uma escolha calculada num tabuleiro onde a neutralidade omani atua como condição facilitadora — um espaço neutro, com corredores discretos para negociações sensíveis.
Em termos práticos, a reunião poderá definir se haverá espaço para uma contenção política do programa nuclear iraniano por vias diplomáticas, ou se as ameaças expostas publicamente por Washington vão endurecer a estratégia de coerção. Os próximos dias serão decisivos para avaliar se haverá desescalada pela via negociada ou se as peças se moverão rumo a confrontos de maior amplitude.
Independentemente do desfecho imediato, a tectônica de poder no Oriente Médio permanece dinâmica. O mundo observa: em Muscat, nesta sexta, as decisões serão jogadas com cuidado — como em uma partida de xadrez cujas próximas jogadas podem redefinir mais do que alianças, mas também o equilíbrio estratégico da região.






















