Ryan Routh foi condenado à cadeia perpétua por um tribunal federal dos Estados Unidos após ser considerado culpado, no ano passado, da tentativa de assassinar o ex-presidente Donald Trump. A sentença, proferida pela juíza distrital Aileen Cannon, inclui ainda uma pena adicional obrigatória de sete anos por crimes relacionados a armas de fogo.
Os promotores haviam solicitado a pena máxima, argumentando que Routh atirou com um fuzil contra o então candidato à presidência no Trump International Golf Club em West Palm Beach, em setembro de 2024. No pedido de condenação, os fiscais ressaltaram que o réu “permanece totalmente impenitente” e que a gravidade do ato — uma decisão violenta e egoísta de privar os eleitores americanos do direito de escolher seu líder — exige uma punição severa.
Durante o julgamento, Routh optou por se representar sozinho, embora um defensor público tenha sido designado para assisti-lo na preparação da audiência de sentença. O advogado nomeado argumentou, em petição ao tribunal, que o réu não cometeu um ato de terrorismo e pedia uma pena de 20 anos, acrescida dos sete anos obrigatórios pelo porte de arma. A defesa sustentou que, permanecendo preso até os 80 anos, Routh “não representaria qualquer ameaça para a saúde pública”.
Routh foi detido em setembro de 2024 depois que um agente do Serviço Secreto, Robert Fercano, o avistou escondido entre arbustos perto do quinto buraco do campo de golfe, supostamente esperando a passagem de Trump para alinhá-lo na linha de tiro. A acusação inclui ainda agressão ao agente do Serviço Secreto que o fez sair de seu esconderijo.
A audiência desta quarta-feira foi a primeira presença de Routh em juízo desde que, após a leitura do veredito de culpa no ano anterior, ele tentou cortar o próprio pescoço com uma caneta. Oficiais o retiraram rapidamente da sala. No encerramento do processo, o réu proferiu uma argumentação curta e desconexa na qual citou a revolta de 6 de janeiro de 2021, a guerra na Ucrânia, o fundador Patrick Henry e referências ao “homem comum”, até ser interrompido pela magistrada.
Após pouco mais de duas horas de deliberação, o júri — composto por sete mulheres e cinco homens — declarou Routh culpado em todas as cinco acusações que lhe foram imputadas, incluindo três infrações federais por posse de arma e a tentativa de homicídio contra o então candidato.
Uma avaliação médica foi realizada antes do julgamento. No memorando de condenação, o governo registrou que um psiquiatra particular contratado pelo antigo advogado de Routh concluiu que não havia sustentação para alegações de incompetência, insanidade ou diminuição da responsabilidade.
Do ponto de vista estratégico e institucional, este caso representa um movimento decisivo no tabuleiro da segurança nacional e jurídica: a aplicação da pena máxima por um atentado direto a uma figura política elevou os alicerces da resposta penal à violência política. Em termos de estabilidade, a sentença busca restabelecer uma norma — caro ao Estado de Direito — de que tentativas de redesenhar o jogo político por meio da violência não serão toleradas.
Como analista, mantenho atenção às repercussões geopolíticas sutis: além da punição individual, o veredito reafirma o compromisso institucional em proteger lideranças e sinaliza a disposição do aparelho de justiça americano em agir com contundência quando confrontado com tentativas de desestabilização interna.






















