São Milano Cortina 2026 os Jogos que hoje inauguram um calendário de expectativas e simbologias para o esporte italiano. Os primeiros representantes nacionais a entrar em cena serão os campeões olímpicos em título Amos Mosaner e Stefania Constantini, no duelo de duplas mistas do curling que marcará o início da competição para os Azzurri.
Na memória recente está a façanha de Pequim 2022, quando a dupla italiana conquistou o ouro no duplo misto de forma inesperada e emblemática. Nesta quinta-feira, às 10h05, Mosaner e Constantini enfrentam a Coreia do Sul na primeira partida do grupo, no Cortina Curling Olympic Stadium. Ao longo do dia, confirmaram presença em treinos no gelo do estádio, afinando rotações e leituras de pista.
Em palavras que traduzem tanto reverência quanto rotina competitiva, Stefania Constantini declarou: “É uma emoção enorme. Lembro da minha primeira deslizada nos cinco anéis em Pequim; hoje repeti a sensação em casa, foi muito bonito. Competimos sempre para dar o nosso melhor, estamos aqui como se não tivéssemos vencido nada.”
Mais tarde, às 19h05, a dupla italiana terá pela frente o Canadá, atual campeão mundial. O retrospecto recente é impressionante — 22 vitórias consecutivas —, mas Amos Mosaner tenta modular as expectativas: “Não devemos pensar demais nisso; é uma estatística. Precisamos encarar jogo a jogo. O foco é na estreia; no dia 6 de fevereiro pensaremos na cerimônia de abertura, que será uma grande emoção.”
No mesmo dia, mas em outro palco da cidade, entra em cena a seleção feminina de hóquei no gelo. Às 14h40, as italianas enfrentam a França pelo Grupo B na nova Milano Santa Giulia Ice Hockey Arena. A capitã Nadia Mattivi expressou um discurso de concentração e proteção coletiva: “Os treinos desde que chegamos a Milão têm sido bons. Vejo as meninas focadas e capazes de evitar as distrações inevitáveis em um contexto único como este. O foco é todo no hóquei; somos uma família e pensamos só em nós. Não olhamos para o resto nem para as adversárias — queremos apenas dar o máximo e mostrar a qualidade deste grupo.”
Para a seleção feminina italiana, assim como para a masculina — que fará sua estreia contra a Suécia em 11 de fevereiro, às 21h10 — trata-se de um retorno histórico aos Jogos de Inverno: a última participação havia sido em Turim, em 2006. Esse hiato simboliza transformações no hóquei nacional, investimento em categorias de base e uma reconstrução da competitividade em patamares internacionais.
Em termos simbólicos, o dia de hoje conjuga continuidade e renovação. A presença dos campeões olímpicos do curling reitera uma narrativa de excelência recente; o retorno do hóquei feminino às Olimpíadas testemunha um processo mais longo, de reestruturação e afirmação. Para quem observa o esporte como um fenômeno cultural, há aqui um mapa de prioridades: desempenho, memória e projeto coletivo se cruzam nos espaços gelados de Milão e Cortina.
O calendário de hoje é apenas a primeira camada de um evento que promete afetar não só a temporada esportiva, mas a percepção pública sobre modalidades menos midiáticas. Os resultados virão; o que importa agora é a tensão produtiva do início — e a capacidade de transformar tradição em programa futuro.






















