Matteo Piantedosi, ministro do Interior, subiu ao Senado para prestar contas sobre os confrontos de 31 de janeiro em Turim, durante a manifestação ligada ao centro social Askatasuna. Em tom firme e sem concessões, Piantedosi defendeu a atuação das forças de segurança, negando qualquer excesso e reiterando a necessidade de instrumentos que impeçam a repetição da violência nas praças.
Na sua exposição, o titular do Viminale rejeitou de forma contundente a tese segundo a qual os distúrbios teriam sido tolerados pelo Governo para justificar medidas mais rigorosas, classificando essa hipótese como “uma insinuação indecente”. Para o ministro, a presença de violência entre grupos antagônicos é uma realidade persistente há décadas e os centros sociais que promovem ataques operam como “delinquentes por conta própria”.
Contra esse quadro, Piantedosi voltou a propor a introdução do chamado fermo preventivo: um mecanismo pensado para deter, antes que cheguem às manifestações, indivíduos já identificados por práticas violentas. “É hora de traçar uma linha de demarcação entre quem quer isolar os violentos e quem prefere deixá-los contaminar as manifestações”, afirmou. A resolução de maioria aprovada pelo Senado endossou essa direção política, reiterando que o desalojo de centros sociais é “um dever do Estado”.
Escala de responsabilizações e a rapidez nas libertações
Outro ponto central do debate foi a sorte dos manifestantes detidos em Turim: alguns foram postos em liberdade poucas horas após o arresto. Essas libertações-relâmpago provocaram a ira dos vice-premiers Matteo Salvini e Antonio Tajani, que qualificaram como “vergonhoso” o retorno à liberdade de quem havia agredido agentes no terreno.
A maioria acusou parcelas do Poder Judiciário de uma postura por vezes excessivamente indulgente, argumentando que a ausência de medidas cautelares eficazes alimenta um sentimento de impunidade e compromete o trabalho das forças no local. Para a Lega, “a indulgência deve acabar”: o direito ao protesto não pode ser convertido em guerrilha urbana sem consequências.
O campo amplo se une em torno da segurança
No lado das oposições, os acontecimentos de Turim tiveram efeito diferente do que se viu em outros temas sensíveis: PD, M5S, AVS e Italia Viva apresentaram uma resolução conjunta. A proposta de Azione acabou sendo incorporada pela maioria. Apesar de algum desconforto inicial no campo amplo — sobretudo em relação ao anúncio antecipado feito por Giuseppe Conte — os líderes parlamentares surgiram unidos ante os jornalistas para materializar um novo alinhamento político.
“O centro-esquerda existe e está unido”, declarou Raffaella Paita (IV), valorizando o entendimento entre as forças progressistas, obtido num momento em que a direita enfrenta o caso envolvendo Vannacci. As oposições, porém, acusam o Governo de instrumentalizar os acontecimentos para fins políticos.
Como repórter e fiscal da vida cívica, vejo nesses episódios a necessidade de reforçar os alicerces da lei sem sacrificar garantias processuais. A proposta do fermo preventivo levanta questões práticas e constitucionais que exigirão ponte — não muros — entre o Executivo, o Parlamento e a magistratura. O desafio agora é construir, com transparência e segurança jurídica, os mecanismos que protejam as praças sem transformar a resposta do Estado em combustível para nova violência.
Enquanto o Senado aprovou a resolução de maioria e a cena política se recompõe, permanece o peso da caneta: medidas que alteram a arquitetura das liberdades públicas devem ser desenhadas com clareza, limites e responsabilidade, para que a ordem não se imponha ferindo o próprio tecido civil que pretende proteger.






















