Em um gesto que mistura desespero familiar e cálculo público, a jornalista e apresentadora do Today da NBC, Savannah Guthrie, lançou um apelo direto aos supostos raptores de sua mãe, a Nancy Guthrie, de 84 anos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Guthrie declarou que a família está disposta a negociar, mas exige provas indiscutíveis de que a idosa ainda está viva.
Segundo o relato da própria apresentadora, a família tomou conhecimento pela imprensa de mensagens que teriam pedido resgate pela mulher, que, conforme investigação policial, teria sido levada de sua residência no subúrbio de Catalina Foothills, no Arizona. “Estamos prontos a discutir. Porém, vivemos em um mundo em que as vozes e as imagens são facilmente manipuláveis”, afirmou Savannah, lendo uma declaração com a voz embargada. “Precisamos saber, sem sombra de dúvida, que ela está viva e que a têm em cativeiro. Queremos notícias suas e estamos prontos a escutar. Por favor, entrem em contato.”
A Nancy Guthrie foi vista pela última vez por volta das 21h45 de sábado, quando foi deixada em casa após um jantar em família. O desaparecimento foi registrado às 12h de domingo, depois que a idosa não compareceu à missa. Durante as buscas, as forças policiais realizaram horas de perícia dentro e nos arredores da residência, onde foram encontrados sinais de arrombamento.
As autoridades confirmaram que receberam relatórios de supostas cobranças de resgate encaminhadas por veículos da imprensa às equipes investigativas, e que tratam essas informações com seriedade, embora tenham se recusado a comentar detalhes operacionais. Os policiais também destacaram que a Nancy tem mobilidade reduzida e problemas cardíacos — ela sofre de hipertensão e tem marca-passo — o que leva os investigadores a descartar, até o momento, a hipótese de que ela tenha saído por vontade própria.
No vídeo, além de Savannah, apareciam a irmã, Annie, e o irmão, Camron, que reforçaram o apelo público. Annie descreveu a mãe como “nosso farol” e pediu que ela retorne: “Mãe, se nos escuta, precisamos que volte para casa. Estamos com saudades.” Savannah, com a voz quebrada, olhou diretamente para a câmera e falou à mãe: “Você é uma mulher forte. És filha preciosa de Deus.”
Em paralelo ao apelo familiar, a Casa Branca informou que o presidente Donald Trump ligou para Savannah Guthrie para manifestar apoio. O contato presidencial adiciona uma camada de atenção nacional ao caso, transformando o que pode ser um crime local num movimento decisivo no tabuleiro midiático e político. A presença do Executivo nas comunicações públicas simboliza o peso institucional que cerca a investigação, mesmo quando os alicerces factuais ainda estão sendo construídos.
Os elementos conhecidos — sinais de arrombamento, vulnerabilidade física da vítima, relatos de pedidos de resgate — desenham um quadro preocupante. Para observadores de política interna e segurança, há aqui um redesenho de fronteiras invisíveis entre privacidade familiar e interesse público, onde cada declaração torna-se uma peça a ser movida com cautela. As autoridades seguem investigando e pedem que qualquer informação relevante seja encaminhada às equipes locais.
Enquanto isso, a família mantém um apelo simples e urgente: comunicação e provas de vida. No jogo delicado entre exposição e discrição, a solicitação por garantias concretas — e não apenas supostos sinais — é uma exigência legítima em tempos em que a manipulação de imagens e áudios é uma possibilidade real.






















