Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, num encontro marcante organizado por ocasião do Dia Mundial contra o Câncer, ficou claro que a indústria não é mera espectadora: é peça central para transformar cuidados e qualidade de vida. Judit Gonzalez Sans, administradora delegada da Danone Nutricia para Itália e Grécia, lembrou que, além de oferecer soluções, empresas têm o dever de inovar na nutrição oncológica com produtos pensados para responder às necessidades reais dos pacientes.
“Dare una risposta ai pazienti migliora la qualità di vita” — a frase ressoou como um chamado para criar um ecossistema onde cada ator cumpra seu papel: pesquisadores, clínicos, associações de pacientes e o setor produtivo. Organizado por iniciativa da senadora Licia Ronzulli, vice-presidente do Senado da República, em colaboração com a Favo Ra Odv (Federazione italiana delle associazioni di volontariato in oncologia), o evento desenhou um panorama que mistura urgência clínica e oportunidade social.
A temática que ocupou o centro do debate foi a malnutrição em oncologia, um problema muitas vezes subestimado que atinge até 80% dos pacientes com tumor. Essa fragilidade alimentar não é um detalhe: compromete sobrevida, reduz a tolerância aos tratamentos, diminui a qualidade de vida e pressiona a sustentabilidade do sistema de saúde. É como uma estação fria que se instala no corpo do doente, afetando seu tempo interno e a capacidade de resistir ao inverno da terapia.
Foi salientado, ainda, que a questão da nutrição oncológica recebeu reconhecimento institucional: o rastreamento nutricional para pacientes com câncer foi incorporado às políticas sanitárias nacionais por meio da recente legge di Bilancio. Esse avanço é como preparar o solo antes da plantação: cria condições para que intervenções nutricionais sejam sistemáticas e efetivas, com impacto concreto na saúde pública e na sustentabilidade financeira do sistema.
Segundo Gonzalez Sans, a Danone Nutricia, na condição de líder de mercado, tem responsabilidade de promover inovação que responda a essas demandas, contribuindo para reduzir custos ao sistema de saúde e, acima de tudo, para melhorar o bem-estar dos pacientes. A indústria, assim, pode agir como uma ponte entre pesquisa, produção e cuidado cotidiano — um fio que costura ciência, empatia e prática.
Ao final, ficou claro que enfrentar a malnutrição oncológica exige uma colheita conjunta: políticas públicas que reconheçam e implementem screening nutricional, produtos clínicos adequados, educação profissional e apoio às associações de voluntariado. Quando cada peça do ecossistema se move em harmonia, a respiração da cidade e do corpo do paciente se torna mais tranquila — e a promessa de uma vida com mais dignidade e resistência se torna possível.
Em tempos em que a saúde pública pede respostas integradas, ouvir vozes como a de Gonzalez Sans é lembrar que a inovação industrial pode ser um instrumento de cuidado, não apenas lucro. É preciso cultivar práticas e produtos que devolvam ritmo ao corpo e esperança ao cotidiano.






















