Frosinone — A dirigente escolar Mara Bufalini dirigiu-se diretamente à comunidade educativa ao comunicar a decisão do Tribunal de Frosinone que determina o despejo do prédio onde funciona a Escola Pietrobono, antes da venda marcada em leilão. Em carta oficial, a dirigente definiu a instituição como “não um simples edifício, mas um presidio dello Stato, um polo de legalidade e civiltà” e apelou às autoridades por uma solução urgente.
O teor da comunicação foi claro e técnico: a prioridade é resguardar o direito ao estudo e a continuidade das atividades. “Não posso consentir que uma questão giudiziaria coloque em risco o diritto allo studio dos nossos ragazzi e a serenità de quem trabalha nestas aulas”, escreveu Bufalini, enfatizando que a escola representa um interesse público protegido pela Constituição e que, portanto, não deveria ser tratada como um bem patrimonial qualquer.
Apesar do apelo institucional, a realidade processual é complexa. O Giudice dell’Esecuzione do Tribunal de Frosinone rejeitou o recurso interposto pelo prefeito Riccardo Mastrangeli e pela administração municipal, confirmando a continuidade da procedura esecutiva. Consequentemente, o imóvel deverá ser desocupado antes do leilão agendado para 18 de fevereiro de 2026. Estão diretamente afetados cerca de 500 alunos, organizados em 21 turmas.
Do ponto de vista jurídico, o magistrado considerou que o decreto municipal de aquisição do imóvel ao patrimônio não é oponível ao penhor em curso, mantendo-se a titularidade formal em poder do antigo proprietário. A origem do impasse remonta à década de 1970: a escola foi construída sobre terreno registrado em nome de um particular e a procedura de esproprio iniciada à época não teria sido completada com a necessária trascrizione, deixando o solo formalmente na disponibilidade do proprietário original.
A administração escolar, usuária do imóvel, declarou não dispor de instrumentos jurídicos ou financeiros para travar diretamente a execução. Em resposta, a dirigente envolveu as instituições competentes: a Prefeitura (Prefettura), o Município (Comune), a Avvocatura dello Stato, o Ufficio Scolastico Regionale del Lazio e o Ambito Territoriale di Frosinone, que confirmaram ter assumido o caso e a busca por soluções.
O objetivo formal apontado pela escola e pelas autoridades acionadas é “trovare uma solução que retire o plesso da incertezza”, preservando os investimentos pedagógicos e tecnológicos que transformaram a Pietrobono em referência local. A direção também endereçou mensagem às famílias em processo de matrícula: escolher a Pietrobono, diz a nota, “não é apenas efetuar uma inscrição, é um ato de confiança e apoio ao nosso projeto educativo”.
O episódio levanta questões administrativas e jurídicas que exigem cruzamento de fontes e intervenção coordenada. Em termos práticos, a comunidade escolar requer garantias imediatas para a continuidade das aulas e para a segurança dos investimentos já realizados. A agenda processual segue definida: despejo antes de 18/02/2026, salvo decisão judicial em contrário ou acordo que suspenda a execução.
Apuração e próximos passos: aguarda-se o pronunciamento das autoridades que assumiram o caso e eventuais medidas de tutela que possam suspender a execução. A reportagem mantém o cruzamento de fontes aberto e seguirá cobrindo qualquer alteração processual ou administrativa que afete a Escola Pietrobono e os estudantes de Frosinone.





















