Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: existe um problema de violência e segurança nas escolas, porém, no momento, não se configura uma emergência generalizada de facas em sala de aula. A avaliação é resultado de entrevistas com estudantes, da verificação de dados junto a associações de diretores e da análise da recente circular ministerial enviada às instituições.
O choque provocado pelo episódio do jovem de 18 anos morto dentro de uma sala em La Spezia intensificou o debate público e alimentou alarmes nas redes sociais, onde também circulou conteúdo sobre uso e tráfico de drogas. Ainda assim, alunos ouvidos à saída de um colégio romano e em outras escolas consultadas negaram a existência de uma “moda” de portar facas e não relataram ter visto incidentes violentos recentes.
Na sequência desses episódios, os ministros do Interior e da Educação, Matteo Piantedosi e Giuseppe Valditara, assinaram uma circular com «Medidas para o fortalecimento das ações de prevenção e contraste de fenómenos de ilegalidade nos institutos escolares». Entre as medidas previstas está, em caráter excepcional, a possibilidade de instalação de metal detectors nas escolas onde a situação seja considerada suficientemente crítica.
O procedimento previsto exige iniciativa do diretor escolar, pedido ao prefeito e avaliação do comitê provincial de ordem pública. O documento ministério também deixa claro que «a atividade de controle permanece confiada exclusivamente aos operadores de segurança pública, evitando qualquer participação imprópria do pessoal das instituições envolvidas».
Uma semana após a publicação da circular, sindicatos e associações consultados pela reportagem informaram não haver até agora denúncias ou pedidos oficiais de instalação de metal detectors nas escolas. O presidente da Associação Nacional dos Dirigenti Scolastici (ANP), Antonello Giannelli, confirmou à nossa redação que não há sinalizações de massa: «segnalazioni non ce ne sono state», ponderou, ressalvando que essas questões podem ser tratadas com discrição e não necessariamente expostas publicamente.
Giannelli advertiu, porém, para o papel da emulação entre adolescentes: «il problema tra gli adolescenti è che l’emulazione gioca un ruolo fondamentale». A mensagem é de atenção: episódios isolados de violência podem inspirar imitações, amplificadas pelo ciclo imediato das notícias e pelas redes sociais.
Do lado dos estudantes, Bianca Piergentili, coordenadora da Rete degli Studenti Medi do Lácio, rejeita a leitura de uma moda de portar armas brancas, mas destaca uma naturalização crescente da violência na sociedade. Piergentili critica o caráter repressivo da circular: considera os metal detectors uma medida de fachada e defende políticas voltadas ao cuidado, como serviços psicológicos nas escolas e educação afetivo-sexual.
O diagnóstico da reportagem é claro: não há evidência de uma emergência sistêmica de facas em salas de aula, mas existe um risco real de emulação que exige combinação de prevenção e intervenção. A resposta administrativa prevê ferramentas de segurança, mas especialistas estudantis pedem prioridade a medidas de suporte e prevenção psicossocial. Fatos brutos, apuração rigorosa e monitoramento contínuo permanecem necessários para evitar ruídos e respostas desproporcionais.
No estado atual — apurado por esta redação — não constam pedidos formais às prefectures para instalação de detectores, e a atividade de controle continuará nas mãos das forças de segurança quando acionada. Continuaremos o raio-x do cotidiano nas escolas, acompanhando novas sinalizações e o impacto das medidas anunciadas.






















