Por Stella Ferrari — Em mais um movimento estratégico que acelera a verticalização da filiera do reciclável, a ReLife, grupo genovês controlado pelos fundos F2i e um dos principais operadores de economia circular na Itália, concluiu a aquisição de 100% da DomoLiving junto à Cuki Cofresco. A transação marca o retorno de marcas históricas do universo Domopak às mãos italianas e amplia a integração do grupo ao longo de toda a cadeia de valor.
A DomoLiving, nascida da divisão Storage da tradicional Cuki e consolidada após a entrada do grupo alemão Melitta em 2018, é especializada em soluções de organização do espaço doméstico e na produção de sacos para limpeza. Com faturamento anual superior a 44 milhões de euros, a empresa opera um polo produtivo em Nervesa (Treviso) e serve sobretudo o canal da grande distribuição organizada (GDO), além de manter presença significativa no exterior.
O portfólio da DomoLiving divide-se em duas linhas principais: Soft Storage (caixas de papelão, capas flexíveis e organizadores) e Plastic Storage (contenedores rígidos), além de uma ampla gama de sacos para resíduos fabricados em plástico pós-consumo reciclado. A capacidade operacional inclui mais de 5.000 toneladas anuais de sacos e capas em plástico reciclado, comercializados sob marcas licenciadas como Domopak Living, Domopak Spazzy e Misterpack.
Na prática, a aquisição permite à ReLife gerar sinergias industriais concretas entre suas divisões — Plastic Packaging, Recycling, Paper Mill e Paper Packaging — fortalecendo tanto o circuito do plástico flexível pós-consumo quanto o dos materiais rígidos e papel. É uma calibragem de engenharia corporativa que transforma matérias-primas recicladas em produtos acabados com presença direta no ponto de venda, aproximando o produtor do consumidor final e respondendo às metas europeias de circularidade.
Do ponto de vista estratégico, trazer de volta ao controle italiano marcas do calibre de Domopak não é apenas um ganho de identidade nacional: é a peça que faltava para uma cadeia integrada capaz de aumentar volumes de coleta seletiva, elevar taxas de reciclagem na GDO e reduzir ineficiências logísticas. Em termos de mercado, a operação também representa uma defesa competitiva diante de players internacionais, ao mesmo tempo em que promove um ciclo virtuoso de oferta e demanda por materiais reciclados de alta qualidade.
Como economista com visão de alta performance, vejo neste movimento a combinação entre visão industrial e execução tática: é como otimizar o motor da economia circular — ajustando combustão (reciclagem), transmissão (processamento) e chassi (distribuição) — para entregar maior resistência e eficiência ao sistema. A aquisição da DomoLiving pela ReLife é, portanto, um passo relevante na aceleração das tendências de sustentabilidade corporativa e competitividade industrial na Itália.
Esta operação tende a impulsionar a oferta de produtos feitos com plástico reciclado no varejo e a reforçar políticas internas de economia circular, contribuindo para a consolidação de um modelo de negócio integrado, resiliente e alinhado com as exigências regulatórias europeias.






















