Por Stella Ferrari — O atrito entre os irmãos reais ganhou novo capítulo: o Príncipe de Gales, William, está profundamente contrariado com a decisão do irmão, Harry, e da sua esposa, Meghan, de avançarem com um documentário sobre a vida de Lady Diana, previsto para marcar os 30 anos de sua morte, em 2027. Fontes próximas à família descrevem o projeto como, na visão de William, “absolutamente irrespeitoso” e desprovido de bom gosto.
O episódio compõe-se como mais um sintoma da crescente distância entre os dois irmãos. Desde o acordo original de conteúdo assinado em 2020 com a Netflix — avaliado em cerca de 100 milhões de dólares — os duques de Sussex viram apenas alguns títulos com ressonância pública, como a série sobre sua saída da vida palaciana. Outras tentativas, como a série sobre a paixão de Harry pelo pólo ou a iniciativa culinária de Meghan (With Love, Meghan), foram recebidas com críticas e não conseguiram ocupar posições relevantes nas listas de streaming do conglomerado americano.
Com o acordo original não renovado e a necessidade de manter relevância e receitas, a opção de trazer ao centro a figura de Lady Diana seria, para os Sussex, uma jogada estratégica: o nome dela conserva atração global. Para William, no entanto, trata-se de uma linha vermelha. Fontes citadas sugerem que ele enxerga a iniciativa como uma forma de “comercializar” uma memória íntima da família — uma mercantilização que toca em sensibilidades públicas e privadas.
Os sinais do rompimento já são visíveis nas aparições oficiais: nos eventos em homenagem à princesa, como no Diana Award de 2023, a participação dos irmãos foi cuidadosamente segmentada — William abriu o evento com um vídeo gravado e Harry apareceu depois, via conexão dos Estados Unidos. Essa separação ritualizada nos palcos públicos espelha o distanciamento real nos bastidores, perceptível em cerimônias recentes como o funeral da rainha Elizabeth II (2022) e a coroação de Carlos III (2023).
Do ponto de vista estratégico, a atitude dos Sussex lembra a busca por um produto que reinicie o motor de sua presença midiática. Em termos de comunicação e mercado, é uma tentativa de acelerar tendências de audiência — uma aposta de alto risco. Para William e para os conselheiros da Coroa, porém, a proposta soa como uma invasão de um território sensível: a memória de uma figura pública cuja morte ainda configura um ponto de inflexão na percepção pública sobre a monarquia.
O debate levanta questões profissionais e éticas: a quem pertence a narrativa de uma figura histórica — à família, ao público, ou ao mercado de entretenimento? A resposta tem implicações além do entretenimento e toca, como em um painel de alta precisão, a calibragem de respeito institucional versus interesses comerciais. A possibilidade de um documentário conduzido por atores com fricção existente com a instituição real representa, para muitos observadores, uma escolha deliberada que pode ampliar o desgaste simbólico da Casa de Windsor.
Enquanto as negociações e planos seguem seu curso, é provável que o assunto continue a alimentar manchetes e especulações. Para a família, porém, o cálculo é também de imagem e legado — e nesse tabuleiro, cada movimento tem impacto direto no equilíbrio entre homenagem e exploração.
Em suma, o projeto promete intensificar a tensão entre William e Harry, ao mesmo tempo em que coloca no centro uma pergunta incômoda: até que ponto a memória de Lady Diana deve ser tratada como patrimônio afetivo e histórico, e até que ponto pode ser objeto de mercado? A resposta definirá não apenas a linha editorial de um eventual documentário, mas também o próximo capítulo nas relações familiares e na governança simbólica da monarquia.






















