Por Giulliano Martini — Correspondente em Milão
A Procuradora de Milão anunciou que abrirá, nas próximas horas, um inquérito pela hipótese de crime de lesões culposas na sequência da fuga de monóxido de carbono ocorrida ontem pela manhã num asilo situado em viale Certosa, na periferia noroeste da cidade.
O episódio aconteceu por volta das 9h. Como medida de precaução, onze crianças, com idades entre um e dois anos, e quatro adultos foram internados para observação. As primeiras avaliações médicas não indicaram, até o momento, quadros clínicos graves, mas as autoridades mantiveram a conduta de hospitalização preventiva devido à potencial toxicidade do gás.
As investigações serão coordenadas pelo procurador de plantão Francesco Cajani e conduzidas pelo pool da polícia judiciária do departamento “ambiente, salute, lavoro”. O foco investigativo, conforme apurações preliminares, recai sobre os proprietários de um apartamento situado no andar superior ao estabelecimento infantil. Trabalhos de reabilitação naquele imóvel — que teriam incluído alterações substanciais nas tubulações — são apontados como possível origem da fuga de gás.
Fontes técnicas consultadas pela nossa equipe explicam que mudanças nos sistemas de ventilação ou no encanamento de exaustão podem criar trajetórias inadvertidas para gases de combustão, permitindo que o monóxido se acumule em ambientes confinados abaixo. Essa hipótese será objeto de análise do corpo pericial que deverá ser nomeado pela autoridade judicial.
Até o momento, não constam responsabilizações formais contra os gestores do asilo. Investigadores enfatizam que a apuração in loco e o cruzamento de fontes são essenciais para distinguir entre erro de obra, falha de projeto ou outro tipo de negligência.
No local, atuaram equipes do serviço de emergência 118, os bombeiros com vários veículos, agentes da Questura e a Polícia Local. Um trecho de viale Certosa chegou a ser interditado para permitir as operações de socorro, o atendimento dos envolvidos e a completa securitização do prédio.
Esta redação prioriza a limpeza de narrativas: todos os fatos brutos divulgados oficialmente foram cruzados com fontes institucionais. A investigação judicial visa agora documentar a cronologia dos trabalhos de reforma no apartamento acima do asilo, a eventual conformidade às normas técnicas aplicáveis e a cadeia de responsabilidades.
O episódio reabre o debate sobre segurança predial e inspeções em edificações mistas — residenciais e com serviços para crianças — que exigem protocolos rigorosos diante de intervenções nas instalações de gás e ventilação. As autoridades locais informaram que novas comunicações serão emitidas assim que peritos concluírem os primeiros relatórios.
Seguiremos a apuração com atualização contínua, mantendo o compromisso de informar com precisão técnica e sem especulações: o raio-x do cotidiano traduzido em fatos verificáveis.






















