Por Giulliano Martini — Apuração em loco e cruzamento de fontes confirmam: o movimento de terra em Niscemi (província de Caltanissetta) atingiu uma largura total superior a 4 km. A informação foi apresentada pelo ministro da proteção civil, Nello Musumeci, em informativa ao Senado.
Segundo o ministro, na manhã de domingo, 25 de janeiro, a evolução do fenômeno sofreu uma aceleração repentina. “A escarpa de frana registrou um desnível de algumas dezenas de metros, em progressivo aumento e em contínua evolução retrogressiva, com uma largura do coronamento que superou os 4 km”, declarou Musumeci. O relato foi acompanhado de avaliação técnica sobre a dinâmica: trata‑se de um deslizamento com tendência típica à retrogradação do talude, que tende a progredir em direção ao centro urbano.
Os especialistas ouvidos pelo departamento também estabeleceram paralelos históricos. A comparação com a frana ocorrida em 1997 e com um evento documentado em 1790 leva à hipótese de um novo arretramento do bordo da escarpa da ordem de “algumas dezenas de metros”, sobretudo em caso de precipitações abundantes. A consequência direta, advertiram as fontes técnicas, é o risco de envolvimento de novos edifícios próximos ao limite instável e a possibilidade de comprometimento permanente de trechos de viabilidade estratégica.
Musumeci informou ainda que “não foram faltados sciacalli em jaqueta e gravata” no manejo da emergência — uma referência direta a práticas de instrumentalização política e exploração indevida da crise, registrada nas fontes da apuração. Em tom institucional, o ministro reforçou que “é meu direito e dever rejeitar com firmeza a representação que isola, de modo instrumental, um único episódio nos últimos três meses do meu mandato como presidente da Região Sicília”.
Como resposta técnica imediata, foi instituída no âmbito do departamento Casa Italia — responsável pela reconstrução e prevenção estrutural — uma comissão de estudo destinada a investigar as possíveis evoluções do fenômeno e as razões da rápida progressão observada nos últimos anos. Musumeci prometeu um parecer técnico sobre intervenções a serem realizadas “em poucas semanas”, voltado ao pós‑emergência.
Quanto ao reassentamento das famílias, o ministro assinalou que “a solução para as famílias forçadas a abandonar suas casas permanentemente ainda não está definida”. Musumeci ressaltou o papel institucional dos municípios: “Cabe às autoridades comunais apresentar uma proposta resolutiva. Lembro que os prefeitos são a primeira autoridade de proteção civil, responsáveis pelo planejamento e vigilância urbanística do território”. A interlocução entre administrações locais e comunidade científica foi apontada como condição necessária para decisões seguras.
Além do caso específico de Niscemi, Musumeci fez uma advertência mais ampla sobre o território regional: em Sicília, “9 em cada 10 municípios estão em alto risco de franeamento”, segundo os dados referidos pelo ministério. O diagnóstico técnico e as medidas recomendadas pela comissão da Casa Italia deverão fundamentar ações de prevenção e eventuais obras de contenção.
Relato direto, dados técnicos e cronologia: a realidade traduzida pelos especialistas indica um quadro de risco que exige resposta coordenada entre esfera técnica, autoridades locais e estruturas de proteção civil. A Espresso Italia seguirá com apuração contínua e divulgação do parecer técnico assim que disponível.






















