Por Chiara Lombardi — Em uma noite que mais parecia a cena final de um drama investigativo, L’Invisibile – La Cattura di Matteo Messina Denaro, exibida na noite de terça-feira, 3 de fevereiro, pela Rai1, confirmou sua força junto ao público: 4.016.000 espectadores, alcançando 23,7% de share. A série, que revisita a caçada ao notório mafioso, funcionou como um espelho do nosso tempo, convidando a audiência a encarar memórias coletivas e a narrativa pública sobre crime e justiça.
Em segundo lugar, Io Sono Farah em Canale 5 interessou 1.820.000 telespectadores (12,3% de share), enquanto o debate político de DiMartedì em La7 somou 1.357.000 espectadores (8,5% de share). A disputa mostra a coexistência — quase coreografada — entre entretenimento de investigação, melodrama e jornalismo político na grade noturna italiana.
No restante da tabela, os números foram os seguintes:
- Le Iene presentano: Il Verdetto (Italia 1): 1.082.000 espectadores — 8,5% de share;
- Boss in Incognito (Rai2): 749.000 espectadores — 4,8% de share;
- Cash or Trash – La Notte dei Tesori (Nove): 586.000 espectadores — 3,4% de share;
- FarWest (Rai3): 547.000 espectadores — 3,7% de share;
- Bohemian Rhapsody (Tv8): 526.000 espectadores — 3,2% de share;
- È Sempre Cartabianca (Rete4): 474.000 espectadores — 3,7% de share.
Se esmiuçarmos também o access prime time, nota-se uma vitória confortável da Rai1 sobre Canale 5. Affari Tuoi prendeu 5.413.000 espectadores, com impressionantes 25,7% de share, enquanto La Ruota della Fortuna ficou com 4.944.000 espectadores e 23,5% de share. Esses números reafirmam que formatos tradicionais de entretenimento continuam sendo pilares de audiência, mesmo diante do fenômeno das séries de grande impacto.
O que torna relevante o triunfo de L’Invisibile não é apenas a marca em números. É a maneira como a produção ocupa um lugar no imaginário: mistura de investigação jornalística, dramaturgia e memória pública, atuando como um reframe da realidade recente italiana. A série funciona como uma lente que amplia questões não apenas criminais, mas sociais — sobre responsabilidade coletiva, representação da história e o papel dos media na construção de narrativas.
Enquanto os programas de auditório e os tele-quiz sobrevivem graças a formatos consolidados — e à familiaridade que entregam —, o público mostra que também busca projetos que ofereçam contexto e ressignificação. É nesse entrelaçar de entretenimento e debate que a televisão italiana encontra sua pulsação contemporânea: o prime time vira palco onde o roteiro oculto da sociedade é discutido, episódio a episódio.
Em síntese, a noite de 3 de fevereiro mostrou uma televisão plural: a vitória numérica de L’Invisibile, a resistência dos programas de grande apelo popular em access e a relevância contínua dos talk shows políticos. O eco cultural dessa combinação segue moldando o calendário do público e a agenda das redes.






















