Por Giulliano Martini — Em informação à Câmara dos Deputados, o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, apresentou um quadro detalhado e juridicamente fundamentado sobre a presença de investigadores do HSI (Homeland Security Investigations), agência ligada ao ICE dos Estados Unidos, durante os Jogos de Milano Cortina.
O ministro destacou, com base em apuração e cruzamento de fontes, que o Governo tem mantido «grande atenção aos conteúdos e ao respeito das cornijas jurídicas de referência», observando que tal rigor «nem sempre se verificou no passado». Piantedosi evocou, por exemplo, uma missão militar russa autorizada a entrar na Itália em março de 2020, logo após o início da pandemia — episódio que, segundo ele, ilustra decisões anteriores que exigem maior escrutínio.
Na exposição oficial, Piantedosi explicou que a presença dos agentes do HSI em Milano Cortina não representa uma iniciativa unilateral capaz de restringir a soberania nacional. Pelo contrário, informou que se trata do cumprimento de um acordo internacional juridicamente vinculante assumido pela Itália, em estrita observância da Constituição e das prerrogativas do Parlamento.
Sobre o perfil das equipes americanas, o titular do Viminale foi incisivo: os investigadores do HSI que atuarão durante os Jogos não são «agentes operativos» e não exercem quaisquer funções executivas. Trabalharão, conforme detalhou, dentro de instalações diplomáticas dos Estados Unidos, o que, tecnicamente, os afasta do solo italiano para efeitos operacionais.
Piantedosi classificou como «completamente infundada» a polémica que se instalou nos últimos dias. Reforçou que a segurança e a ordem públicas continuam a ser responsabilidade exclusiva das nossas forças de polícia, não sendo a participação do ICE contrária a esse princípio. As atividades previstas são restritas a análise e troca de informações com as autoridades italianas — práticas que, segundo o ministro, são rotineiras e já se verificam em mais de 50 países, inclusive na Itália.
O ministro também lembrou o princípio de reciprocidade na cooperação internacional: «Assim como haverá investigadores estadunidenses presentes durante as Olimpíadas de Inverno, a Itália envia operadores das suas forças policiais para colaborar em grandes eventos no exterior», afirmou, citando como exemplo recente a contribuição italiana em grandes encontros internacionais de segurança em Paris.
Em síntese factual: os representantes do HSI virão a convite e em conformidade com compromissos internacionais; atuarão em funções analíticas e de intercâmbio de informações; não terão poderes executivos em território italiano; e a segurança pública permanecerá sob a responsabilidade das forças italianas. A declaração do ministro foi entregue em ambiente de controle parlamentar, com documentação que, segundo o gabinete do Interior, respalda juridicamente as operações previstas.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e verificação documental foram os parâmetros adotados pelo Ministério para sustentar as informações apresentadas aos deputados. A explicação busca cortar ruído e restaurar a clareza sobre prerrogativas nacionais versus práticas de cooperação internacional em matéria de segurança.






















