Por Aurora Bellini — Em uma iniciativa que pretende iluminar novos caminhos para a recuperação territorial, a cidade de Amatrice prepara-se para receber, de 6 a 8 de março de 2026, a primeira edição da Giornata internazionale dell’Amatriciana — o Dia Internacional da Amatriciana. A intenção é clara: usar um dos pratos mais célebres da cozinha italiana como motor de revitalização socioeconômica de uma região marcada pelo terremoto de 24 de agosto, dez anos atrás.
Hoje, na Câmara dos Deputados, na Sala Tatarella, foi apresentado o programa da três dias de eventos em Amatrice. A iniciativa é promovida pela Associação dos Restauradores e Hoteleiros de Amatrice (ARAM), com o patrocínio do Comune di Amatrice, da Università Roma Tre, da Região do Lácio e das Câmaras de Comércio de Rieti e Viterbo.
No encontro foi revelado o logotipo oficial e detalhado um calendário que mistura reflexão e experiência prática: conferências temáticas, laboratórios gastronômicos, visitas aos cantieri da reconstrução, caminhadas e passeios de e-bike, além de numerosas degustações. O objetivo é valorizar as excelências e peculiaridades do território que originou um dos pratos mais celebrados no mundo, transformando sabor em oportunidade econômica.
Intervieram no evento o presidente da ARAM, Giovanni Apa, o conselho diretivo e associados; o prefeito de Amatrice, Giorgio Cortellesi; o deputado Luciano Ciocchetti; em conexão de vídeo, o comissário extraordinário para a reconstrução, Guido Castelli; e a assessora de Cultura da Região do Lácio, Simona Renata Baldassarre.
Como explicou o prefeito Giorgio Cortellesi, “a amatriciana não é apenas um símbolo de excelência enogastronômica: é sobretudo o volàno da ripartenza socio-econômica de Amatrice e das suas frações. É um brand que devemos aproveitar para a recuperação moral do território, que precisa que as pessoas voltem a viver aqui e que funcionem restaurantes, hotéis e todas as atividades locais.”
O comissário para a reconstrução, Guido Castelli, sublinhou, por vídeo, o valor simbólico do evento nesse momento-chave: “Esta três dias não é apenas uma ocasião de promoção de uma marca conhecida, mas o começo de um caminho ligado a um prazo importante: os dez anos do terremoto. Estamos recuperando terreno, mas o desafio verdadeiro é reconstruir o laço de confiança entre comunidade, sociedade e instituições”.
A assessora de Cultura do Lácio, Simona Baldassarre, lembrou que a cultura tem a capacidade de unir saberes e sabores, essencial para relançar territórios internos muitas vezes pouco conhecidos ou de difícil acesso. Para ela, a amatriciana é um autêntico embaixador da italianidade no mundo — uma língua culinária que nos representa e que, no quadro mais amplo, dialoga com o reconhecimento da cozinha italiana como patrimônio imaterial.
Esta iniciativa busca, com elegância e firmeza, semear inovação e reconstruir laços: transformar um prato emblemático em instrumento de resiliência económica e social. Ao reunir chefs, produtores, estudantes universitários e decisores públicos, o Dia Internacional da Amatriciana pretende tecer uma rede capaz de sustentar um renascimento local, iluminando um horizonte límpido para Amatrice e suas comunidades.
Palavras-chave: Amatriciana, Amatrice, reconstrução, economia, ARAM.






















