Por Stella Ferrari, Espresso Italia — A Disney anunciou uma mudança estratégica no comando executivo: o atual diretor dos parques, Josh D’Amaro, foi nomeado novo CEO. A decisão encerra a disputa interna pela sucessão de Bob Iger, mas teve recepção fria dos mercados: em Wall Street as ações da empresa caíram cerca de 1,5% após o anúncio.
Com 54 anos e 28 anos de carreira dentro da companhia, Josh D’Amaro assume o posto após liderar o que é, na prática, o principal motor financeiro da empresa — a divisão de experiências, que engloba parques temáticos e cruzeiros. Ele já administrou um orçamento estimado em US$ 60 bilhões para expandir essa operação. No ano passado, o setor registrou receita de aproximadamente US$ 36 bilhões, empregando cerca de 185.000 pessoas e operando 12 parques e 57 hotéis globalmente.
O movimento surpreende parte dos investidores porque remete ao caso de Bob Chapek, ex-presidente da divisão de parques que havia sido elevado ao cargo de CEO em 2020 e saiu menos de três anos depois. Tal como Chapek, D’Amaro é frequentemente visto como um executivo com foco operacional, porém com laços menos sólidos com o ecossistema hollywoodiano — uma preocupação que preocupa analistas diante dos desafios de conteúdo da companhia.
James Gorman, ex-presidente executivo do Morgan Stanley e responsável pelo processo de sucessão, destacou a capacidade de D’Amaro de identificar oportunidades de crescimento estratégico e sua paixão pela marca Disney. Iger, que estendeu repetidamente sua permanência à frente da empresa antes de finalmente permitir a sucessão, afirmou estar entusiasmado pelo novo CEO e confiante para os próximos capítulos.
O novo comando herda uma empresa em transformação. Conforme relatório do Financial Times, a companhia enfrenta a desaceleração das receitas tradicionais de cinema e televisão, a migração da atenção do público para plataformas online como YouTube e a possibilidade de um novo ciclo de consolidação no setor, ilustrado pela aceitação da oferta da Netflix para adquirir a Warner Bros. Desde 2019, quando as bilheterias alcançaram cerca de US$ 13 bilhões para filmes da Disney, o setor viveu a pandemia, o boom do streaming e, depois, o fenômeno do cord cutting, que continuou a corroer receitas da televisão linear. Além disso, as longas greves de roteiristas e atores em Hollywood atrasaram a recuperação do conteúdo.
Até recentemente havia expectativa de que a empresa adotasse um modelo de co-liderança, com D’Amaro e Dana Walden dividindo o posto de CEO — Walden é reconhecida por seus fortes laços com talentos de Hollywood. A Disney optou por outro desenho: Dana Walden foi nomeada presidente e Chief Creative Officer, reportando-se diretamente a Josh D’Amaro. A combinação pretende equilibrar a experiência operacional do novo CEO com a influência criativa e os relacionamentos de Walden dentro da indústria do entretenimento.
Em termos estratégicos, a tarefa de D’Amaro é recalibrar o motor da empresa: preservar e monetizar o imenso ativo das experiências presenciais — onde a Disney ainda tem vantagem competitiva clara — ao mesmo tempo em que reavalia o portfólio de conteúdo e as parcerias tecnológicas. Trata-se de ajustar a calibragem de juros da empresa às novas dinâmicas de consumo, sem perder a força da marca nem a capacidade de investimento em luxo experiencial que é a marca registrada do grupo.
O mercado reage agora a uma combinação de incertezas — perfil do novo líder, desafios de conteúdo e possíveis movimentos do setor — enquanto a companhia acelera a transição para sua próxima fase operacional. Para stakeholders e investidores, será essencial monitorar as primeiras decisões estratégicas de Josh D’Amaro e a integração do time criativo sob a direção de Dana Walden.






















