FantaSanremo 2026 registra 628 mil equipes e consolida trilha viral de Tony Pitony
Por Chiara Lombardi — Em um fenômeno que atua como um espelho do nosso tempo, o FantaSanremo 2026 vive simultaneamente a excitação dos jogos digitais e a emergência de um hino viral. A plataforma soma já 628.000 equipes criadas — um crescimento de +7,3% em relação a 2025 — e projeta ultrapassar a marca de um milhão de forma iminente. O universo de usuários alcançou 3,8 milhões de inscritos, reforçando o papel do jogo como um dos termômetros culturais do festival.
No mesmo compasso, a canção oficial do evento, Scapezzolate, assinada por Tony Pitony, transformou-se em um caso de semiótica do viral. Lançada em 23 de janeiro, a faixa acumula números expressivos nas plataformas: mais de 2,2 milhões de visualizações no Instagram (com 120 mil curtidas), 785 mil visualizações no TikTok (100 mil curtidas) e cerca de 100 mil visualizações no YouTube. É a tradução sonora de um reframe coletivo, em que uma canção encarna o humor e a estética de uma nova cena musical.
Entre as escolhas dos fantatreinadores, há mudanças relevantes: Dargen D’Amico assumiu a liderança entre os artistas mais escolhidos, superando Elettra Lamborghini. O anúncio de parcerias também movimenta as preferências: Ditonellapiaga entrou no top five depois de confirmar um dueto na serata cover justamente com Tony Pitony, unindo duas das potências mais inesperadas do atual circuito artístico.
O jogo mantém sua mecânica conhecida: cada participante monta uma equipe de sete artistas com um orçamento de 100 baudi. O prazo para inscrições se encerra às 23:59 de segunda-feira, 23 de fevereiro. A grande novidade estratégica desta edição é a limitação das janelas para alterações nas formações — titulares, reservas e capitão — que poderão ser ajustadas apenas em duas ocasiões: sexta-feira 27 de fevereiro (no dia das cover) e sábado 28 de fevereiro (na final), sempre entre 08h e 20h. Essa restrição altera o roteiro oculto do jogo, exigindo decisões mais táticas e antecipadas por parte dos jogadores.
Como analista cultural, vejo no sucesso do FantaSanremo 2026 e na ascensão de Scapezzolate algo além de métricas: é um indício de como o festival — e sua sombra lúdica — reflete memórias, identidades e a rapidez das conexões sociais no cenário europeu contemporâneo. A convergência entre um jogo que quantifica expectativas e uma música que viraliza em poucos dias revela o roteiro oculto da sociedade que consome, comenta e participa do espetáculo em tempo real.
Em síntese, estamos diante de dois recordes potenciais: o das equipes e o de uma assinatura sonora que virou mantra nas redes. Para quem observa o zeitgeist, esse movimento não é só entretenimento: é o desenho de um momento cultural onde estratégias, afeto e consumo se entrelaçam num único palco digital.






















