Estreia o sistema Climawarm da adidas, uma solução de aquecimento inteligente concebida para preservar a potência muscular de atletas de elite em ambientes extremos. O desafio de gerir o calor corporal nos minutos que antecedem uma prova em esportes de inverno é, em termos fisiológicos e táticos, um dos pontos mais críticos — e o aquecimento pré-gara é o campo onde a tecnologia atua como infraestrutura sensível.
No núcleo da inovação estão os pads térmicos inteligentes Clim8, elementos ultrafinos integrados estrategicamente em jaquetas e calças técnicas, alinhados aos principais grupos musculares. A arquitetura do sistema opera em camadas de inteligência: sensores, atuadores térmicos e algoritmos que equilibram conforto e desempenho em tempo real.
O sistema dispõe de duas modalidades automáticas, Eco e Boost, que ajustam a assistência térmica conforme o movimento do atleta e as condições ambientais. Em termos práticos, a ação térmica dirigida reduz a dissipação de calor na janela vulnerável entre o aquecimento ativo e a largada — um período em que o resfriamento muscular pode comprometer a explosão inicial.
Há um mecanismo de segurança embarcado que monitora continuamente a temperatura para evitar superaquecimento, assegurando um balanço térmico estável até o momento da partida. Do ponto de vista de engenharia de materiais, os tecidos são de baixo volume e retrabalhados para não limitar amplitude de movimento: a peça acompanha ações de sprint, empurrões e rotações típicas das rotinas pré-partença e pode ser removida rapidamente na linha de partida.
O desenvolvimento do Climawarm resultou de colaboração direta com programas esportivos de alto nível e atletas de esqui cross-country, bobsled e skeleton. Observações in loco das rotinas pré-competição identificaram a lacuna onde a energia térmica gerada no aquecimento se perde — um problema tão físico quanto informacional, que demanda resposta integrada entre hardware, software e design ergonômico.
Margherita Raccuglia, Directora de Athlete Performance da adidas, sintetiza a lógica do projeto: “O SISTEMA CLIMAWARM é projetado para enfrentar um problema simples e, ao mesmo tempo, complexo: manter a temperatura muscular gerada durante o aquecimento ativo, mesmo no frio”. Essa definição enfatiza que a roupa pré-gara deixa de ser um mero invólucro e passa a funcionar como componente ativo da estratégia de competição.
Como analista focado em infraestrutura digital e sistemas, vejo o Climawarm como uma extensão do mesmo princípio que rege redes e cidades inteligentes: camadas discretas de tecnologia trabalham juntas para manter um estado otimizado do sistema — aqui, a fisiologia do atleta. Não se trata de efeito teatral, mas de reduzir fricção térmica em um momento decisivo, convertendo o vestuário em parte do alicerce da performance.
O lançamento ocorrerá durante os principais eventos internacionais deste mês, quando a solução poderá ser testada em condições operacionais. A tecnologia propõe não apenas conforto, mas uma vantagem técnica mensurável: preservar potência e reatividade até o segundo da largada.
















