Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma leitura sensível do cotidiano da saúde, Anna Lisa Mandorino, secretária-geral da Cittadinanzattiva, afirmou que o novo Testo unico traz um impacto positivo para as pessoas, sobretudo para quem convive com doenças crônicas. Falando no debate digital ‘Verso la nuova legislazione farmaceutica. Il confronto tra istituzioni, industria e cittadini’, promovido pela Adnkronos em colaboração com a Egualia, Mandorino lembrou que experiências concretas de territorialização das práticas farmacêuticas já mostram efeitos relevantes.
Na sua fala, disponibilada ao encontro, ela sublinhou que, para quem necessita de um acesso ao medicamento constante e contínuo, a proximidade da distribuição faz toda a diferença: “A proximidade da distribuição garante, de fato, uma maior aderência“, disse. A metáfora da cidade respirante encaixa-se aqui — quando a farmácia ou o serviço de entrega respiram na mesma cadência do cotidiano do paciente, é mais fácil alinhar o tempo da vida com o tempo do tratamento.
Mandorino também destacou a importância de conciliar os ritmos pessoais com os da cura, apontando que a facilitação no acesso beneficia tanto os pacientes que vão pessoalmente retirar os medicamentos quanto as famílias e os cuidadores que o fazem em nome de quem cuida. Essa apropriabilidade do cuidado, traduzida em menor deslocamento e mais regularidade, tende a criar raízes de bem-estar: é uma pequena colheita de hábitos que protege a saúde ao longo das estações da vida.
A proposta de territorialização não está dissociada da ideia mais ampla de proximidade dos cuidados. Para Mandorino, ambos conceitos andam de mãos dadas e agregam um valor significativo para a população. Em linguagem prática, isso se traduz em menor absenteísmo na terapia, menos rupturas na cadeia de fornecimento dos medicamentos essenciais e maior coordenação entre serviços locais — um mosaico de microatendimentos que reafirma a centralidade do paciente.
Num tom que mistura o observador atento e o defensor do cotidiano, Mandorino lembrou que políticas bem desenhadas são como paisagens cultivadas: exigem atenção às estações, ao solo e ao ritmo das pessoas. O Testo unico surge, assim, como uma proposta de reorganização que pode harmonizar a logística farmacêutica com as necessidades concretas dos cidadãos.
O debate promovido pela Adnkronos com a Egualia reuniu representantes institucionais, indústria e sociedade civil para mirar justamente esse ponto de encontro — a construção de uma legislação farmacêutica que contemple o valor da proximidade e da continuidade do cuidado. Para pacientes crônicos, essa mudança representa mais do que conveniência: significa segurança e qualidade de vida.
Enquanto observamos a paisagem das políticas de saúde, fica claro que a territorialização é uma semente que, se bem regada por legislação e práticas locais, pode florescer em formas concretas de cuidado. E, como sempre, são as pequenas raízes cotidianas — a dispensação próxima, o diálogo entre serviços, o apoio dos cuidadores — que sustentam a árvore maior do bem-estar coletivo.






















