Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O Hellas Verona anunciou oficialmente que a condução técnica da equipe principal ficará a cargo, de forma provisória, do mister Paolo Sammarco. Em nota no site oficial, o clube desejou ao treinador interino um caloroso “in bocca al lupo” e manifestações de confiança para o trabalho que se inicia.
Em paralelo, chegou a confirmação do Pisa Sporting Club: o sueco Oscar Hiljemark, 33 anos, é o novo treinador do Pisa. O clube comunicou que o técnico assinou contrato até 30 de junho de 2027, com opção.
A nota do Pisa traça rapidamente a trajetória de Hiljemark: uma carreira de jogador interrompida precocemente, encerrada aos 28 anos segundo o comunicado, enriquecida por conquistas como o título nacional com o Elfsborg (2012), a Eredivisie com o PSV Eindhoven (2015) e o título de campeão da Europa sub-21 em 2015 com a seleção sueca. Ainda com a camisa da seleção, Hiljemark esteve presente no Mundial de 2018, somando 28 convocações e 2 gols. No percurso como treinador, iniciou em 2021 no Aalborg, na Dinamarca, voltando em 2024 ao Elfsborg, onde registrou duas colocações relevantes no campeonato sueco e participações em competições europeias.
São dois movimentos correlatos mas de leitura distinta: o Verona, ao optar por uma solução interna e temporária, privilegia estabilidade imediata e um gesto de continuidade; o Pisa, ao contratar Hiljemark por prazo estendido, aposta numa trajetória que mistura experiência internacional como jogador e uma transição consolidada para a função de treinador.
Do ponto de vista institucional, essas decisões espelham duas respostas frequentes na Itália e na Europa contemporâneas. Clubes em momentos de transição frequentemente recorrem a figuras de confiança para garantir gestão de curto prazo do elenco, ao mesmo tempo em que buscam nomes com projeto e identidade para liderar processos mais largos. A nomeação de Sammarco reflete a necessidade de segurar um barco em mar agitado; a investida no perfil de Hiljemark demonstra aposta em um perfil com vivência europeia.
Mais do que trocar cadeiras no banco, essas escolhas dizem respeito ao que os clubes escolhem preservar ou transformar: memória, método e perspectiva de longo prazo. O futebol, aqui, funciona como espelho das estratégias organizacionais — entre imediatismo e projeto institucional, entre a confiança em figuras internas e a atração por experiências externas.
Nos dias que vêm, caberá a Paolo Sammarco comandar a resposta imediata do Verona e a Oscar Hiljemark traduzir o contrato longo em credenciais esportivas que legitimem a aposta do Pisa. Ambos os episódios merecem acompanhamento atento, pois falam tanto da urgência do cotidiano esportivo quanto das escolhas que desenham futuros.
Otávio Marchesini — Espresso Italia





















