Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: a distância do disparo que matou Abderrahim Mansouri, 28 anos, durante uma operação anti‑tráfico no boschetto de Rogoredo, periferia de Milão, foi — segundo a defesa do agente envolvido — superior a 25 metros. A informação foi divulgada pelo advogado do policial, Piero Porciani, após os primeiros resultados da autópsia realizada no instituto de medicina legal.
O exame anatomopatológico, conduzido pela doutora Cristina Cattaneo, indicou que o projétil extraído atingiu o lado direito da testa do jovem de origem marroquina. Para a defesa, esses dados são compatíveis com a versão apresentada pelo policial — identificado como Carmelo Cinturrino —, agora indiciado por homicídio voluntário.
Em entrevista à AGI, os advogados que atuam pela defesa reiteraram que o disparo partiu de longa distância e que a trajetória do projétil e a lesão são coerentes com a narrativa do agente. O próximo ato processual programado para acompanhar a apuração será o exame da pistola de brinquedo apreendida com Mansouri; a diligência foi agendada para 2026‑02‑09, quando o perito indicado pela defesa, Dario Redaelli, deverá participar.
Do outro lado do processo, os representantes da família — advogadas Debora Piazza e Marco Romagnoli, que atuam como parte civil — comentaram os resultados da autópsia com tom objetivo. Segundo eles, a trajetória do projétil teria sido paralela ao solo e o corpo do jovem encontrou‑se com a cabeça fortemente virada para a esquerda no momento do impacto, indício, em sua avaliação, de que teria sido atingido enquanto tentava fugir.
“A cabeça girada faz pensar que foi colhido durante a fuga. Creio que, em breve, várias pessoas terão de pedir desculpas à família de Mansouri Abderrahim”, declarou a defesa civil à imprensa. A frase resume uma expectativa processual que mantém o caso sob forte atenção pública e jurídica.
Fatos brutos: operação policial anti‑spaccio no boschetto de Rogoredo; homem de 28 anos morto por disparo; agente sob investigação por homicídio voluntário; autópsia aponta projétil extraído na região frontal direita; exame da arma de brinquedo marcado para 9 de fevereiro. Esse é o raio‑X do cotidiano transformado em inquérito.
O rigor técnico da investigação prossegue. A apuração está centrada na compatibilidade entre rumo e distância do disparo, posição relativa entre atirador e vítima, e natureza da arma apresentada como prova. A limpeza de narrativas exige agora a sobreposição dos laudos periciais aos depoimentos registrados perante o Ministério Público, a fim de definir responsabilidades e encaminhamentos legais.
Seguiremos acompanhando o caso com foco nos documentos oficiais, laudos e diligências processuais, reportando cada novo elemento com precisão e sem especulação.





















