Por Marco Severini — Em um gesto que se situa entre o instinto de sobrevivência e uma decisão estratégica em um momento crítico, Austin Appelbee, de 13 anos, enfrentou o mar revolto da Austrália Ocidental e nadou por cerca de quatro horas para pedir socorro, ação que resultou no resgate de sua mãe e dos dois irmãos menores.
Na tarde de sexta-feira, a família havia saído até a água entre kayaks e paddleboards nas proximidades de Quindalup. Inicialmente a superfície parecia calma, mas ondas fortes e correntes rapidamente viraram embarcações e encheram o kayak de água. Arrastados mar adentro, mãe e filhos passaram a ser levados cada vez mais longe da costa.
Foi nesse quadro — quando a vulnerabilidade da família se tornou clara como uma peça exposta em um tabuleiro — que Austin Appelbee tomou a decisão que mudou o curso dos eventos: com um colete salva-vidas, lançou-se em nado contínuo rumo à praia para solicitar ajuda, enfrentando aproximadamente quatro quilômetros de mar aberto.
O próprio adolescente descreveu o medo, mas também a fixação por um objetivo prático: “Eu estava realmente assustado”, disse ele, “mas pensei que conseguiria. Pensei nos meus amigos e no meu grupo juvenil cristão”. Após as primeiras horas, exaurido, optou por retirar o colete para ganhar mobilidade, prosseguindo a jornada com diferentes estilos — braçada, crawl e nado de costas em modo de sobrevivência.
Em um detalhe humano que revela o esforço para manter a sanidade diante da adversidade, Austin lembrou que cantarolou a música tema de Thomas the Tank Engine para não sucumbir ao pânico. Esse pequeno foco mental funcionou como um nó estratégico que manteve sua resistência até a chegada à areia.
Na praia, já sem fôlego, ele acionou os serviços de emergência, pedindo imediatamente envio de embarcações, helicópteros e aeronaves. Equipes de resgate localizaram a mãe, Joanne, e os dois irmãos agarrados a uma prancha de surf, ao largo da costa turística.
Paul Bresland, voluntário do resgate marítimo, qualificou as quatro horas de nado como um feito “sovrumano”, observando que o garoto nadou duas horas com o colete e duas horas sem. O inspetor de polícia James Bradley também enalteceu a determinação do jovem.
Do ponto de vista da família, Joanne descreveu horas de angústia: a decisão de mandar Austin nadar até a praia foi uma das mais difíceis de sua vida. Quando o sol se punha, ela temeu o pior, até que o retorno seguro confirmou um desfecho de resgate.
Como analista, registro que esta história reverbera como um movimento decisivo no tabuleiro da experiência humana: uma ação singular, tomada por um jovem, que redesenhou o risco imediato e permitiu a coordenação eficaz dos recursos de resgate. É um lembrete de que, mesmo nas franjas da natureza, decisões individuais e coragem fundamentada podem estabilizar os alicerces frágeis da diplomacia cotidiana entre homem e mar.


















