Apuração e cruzamento de fontes confirmam: os perfis sociais de Fabrizio Corona e episódios do seu programa Falsissimo foram removidos por iniciativa do próprio Meta, em resposta a notificações e pressões do departamento jurídico da Mediaset. A decisão, segundo documentos e relatos oficiais, apoiou‑se nas políticas das plataformas relativas à difamação, direito autoral, dignidade pessoal, privacidade e combate a mensagens de ódio.
O advogado de Corona, Ivano Chiesa, confirmou a suspensão das contas. “Foram oscurados, os fecharam, suspenderam, tanto o Instagram quanto o ‘Falsissimo'”, declarou Chiesa. Segundo ele, Corona recebeu notificações da Meta relativas a violações de copyright. “Posso apenas acrescentar — prosseguiu o advogado — que as pessoas me param na rua dizendo para prosseguir. Serão as pessoas a avaliar a democraticidade de tudo isso”, afirmou.
Fontes próximas ao processo indicam que a medida junto à Meta partiu do escritório jurídico da Mediaset, que encaminhou difide (notificações formais) apontando múltiplas infrações cometidas por Corona, incluindo a reprodução integral de trechos de programas: transmissões de Verissimo, formatos de Maria De Filippi, Grande Fratello e outros conteúdos proprietários.
No formato Falsissimo e na série de episódios intitulados “Il prezzo del successo”, em que Corona investigava um suposto “sistema Signorini” e um “sistema Mediaset“, ele republicou várias vezes imagens e trechos que pertencem a emissoras. Na última transmissão publicada por Corona, o conteúdo reapareceu sem algumas imagens pertencentes a broadcasters, mas mesmo assim gerou nova reação jurídica.
Paralelamente, a Procura de Milão abriu investigação, a partir de denúncias recebidas, por suposto concurso em difamação envolvendo Corona e por receptação de imagens e conversas atribuídas a gestores do Google. As apurações seguem em andamento, com pedidos de produção de provas e coleta de material digital.
Após as difide e as queixas apresentadas, a rede Meta, como medida de autotutela para se proteger de potenciais litígios, optou por remover os conteúdos e encerrar os perfis vinculados ao ex‑agente de paparazzi. Corona também republicou recentemente, no canal do YouTube do seu programa Falsissimo, um episódio em que ataca apresentadores da Mediaset e a família Berlusconi, além de voltar a citar Alfonso Signorini. A empresa de mídia já havia obtido, por meio de uma difida por violação de copyright, a remoção daquela última edição.
Em 26 de janeiro, um juiz cível de Milão emitiu providência inibitória determinando que Corona removesse conteúdos considerados “difamatórios” contra Signorini, que se abstivesse de novas publicações desse teor e que entregasse todo o material em sua posse relacionado ao caso. Os advogados do apresentador apresentaram, por sua vez, várias denúncias e alegaram violação da ordem cível por parte de Corona; a defesa contestou formalmente as interpretações contrárias à sua atuação.
O episódio relança o debate sobre limites entre liberdade de expressão, uso indevido de material protegido por direitos autorais e responsabilização por mensagens potencialmente difamatórias. A sequência de medidas — difide da Mediaset, providência judicial e ação de remoção pela Meta — representa um ponto de convergência entre direito privado, proteção da propriedade intelectual e apuração criminal em curso. As investigações e os procedimentos judiciais permanecerão sob observação até novas decisões das autoridades competentes.
Giulliano Martini — correspondente e responsável pela apuração técnica. Reportagem baseada em documentos judiciais, comunicados oficiais e declarações do advogado de defesa; cruzamento de fontes confirma as etapas processuais descritas.






















