Uma onda de frio incomum está desencadeando um fenômeno que parece saído de uma fábula: verdadeiras “chuvas” de iguana em bairros da Flórida. Relatamos pela Espresso Italia que, com as temperaturas despencando nos últimos dias, muitos desses répteis perdem a capacidade de se mover e simplesmente caem das árvores, deixando moradores atônitos ao encontrá-los inconscientes em jardins e calçadas.
O que à primeira vista parece tragédia, na maior parte dos casos é um processo fisiológico conhecido: as iguana são animais de sangue frio e, expostas a um frio intenso, entram em estado de torpor — uma espécie de hibernação temporária que reduz suas funções corporais. As autoridades e organizações ambientais explicam que nem sempre se trata de morte; muitas vezes os répteis simplesmente ficam imóveis até que a temperatura volte ao normal.
Moradores da região têm acionado os serviços locais após encontrarem os animais desacordados em seus quintais. Essas chamadas, além de alarmarem a comunidade, estão servindo para que equipes responsáveis pela fauna consigam localizar e recolher os animais com segurança. A logística se beneficia, paradoxalmente, do próprio congelamento momentâneo: com a mobilidade reduzida, a captura e o transporte para centros de acolhimento ficam mais seguros tanto para os répteis quanto para os socorristas.
Segundo grupos de proteção animal e os centros que trabalham com a vida silvestre, a presença massiva de iguana na região é resultado, em grande parte, de introduções humanas — muitos exemplares são antigos animais de estimação que foram abandonados ou soltos em ambientes não nativos. Esses répteis, embora tendenzialmente herbívoros, podem representar riscos à fauna local e, em caso de stress ou defesa, morder com vigor.
As estruturas estaduais, incluindo a Florida Fish & Wildlife Conservation Commission, atuam recolhendo e encaminhando os animais para instalações preparadas, onde serão avaliados e, quando apropriado, realocados em ambientes mais adequados. A ação conjunta entre população e órgãos de conservação tem sido essencial para evitar danos maiores e preservar a saúde dos ecossistemas afetados.
Este episódio também nos oferece uma reflexão mais ampla sobre a relação entre seres humanos e espécies exóticas: sem uma rede de responsabilidade que inclua educação, regulação e centros de reabilitação, o abandono de animais acaba por gerar problemas ambientais e humanitários que se manifestam quando as estações mudam. Iluminar esse caminho — promover políticas e atitudes que cultivem cuidado — é semear inovação social e proteger o horizonte límpido da convivência entre espécies.
Curiosamente, as iguana não são os únicos que buscam refúgio contra o frio: em semanas recentes, grupos de peixes-boi (manatis) também se concentraram em áreas termais da costa da Flórida, onde as nascentes mantêm a temperatura da água em cerca de 23°C, criando bolsões de sobrevivência para espécies sensíveis. Esses episódios lembram que, diante das variações climáticas, a natureza e as comunidades humanas precisam tecer respostas coordenadas.
Enquanto as temperaturas voltam a subir, os especialistas esperam ver muitos desses répteis recuperados e reencontrando o equilíbrio. Até lá, a recomendação é que o público mantenha distância, acione os canais oficiais quando encontrar animais em apuros e permita que as equipes especializadas conduzam o resgate. É assim que, com prudência e solidariedade, conseguimos transformar um sobressalto em ação responsável — iluminando novos caminhos para a convivência entre cidades e natureza.






















