Para quem conhece o palco como um quarto de memórias, a próxima passagem de Laura Formenti por Botticino tem sabor de retorno. No sábado, 7 de fevereiro, às 21h, a atriz apresenta no Centro Lucia (via Alighieri 15) seu monólogo «Io Mortah», uma peça que promete risos afiados e observações feitas com a precisão de quem esculpe o gesto cômico.
Os ingressos custam €22 (inteira) e €20 no reduzido — para residentes, menores de 13 anos e maiores de 65 —, à venda em webtic.it ou na bilheteria do teatro na noite do espetáculo, se ainda houver disponibilidade.
Ao conversarmos, Laura Formenti adianta que o espetáculo, longe de ser uma ode à morte, é antes uma reflexão sobre a transformação da linguagem e do conviver: «O título com o h final — Io Mortah — é um piscar de olhos ao dialeto, à fonética e às mudanças que atravessam como crescemos: da busca por um par à busca por uma casa, do choque entre gerações ao espelho das pequenas decisões cotidianas». A sua lente é, portanto, tanto íntima quanto coletiva.
Para Formenti, a risada tem uma função quase terapêutica. No seu podcast «Humor nero», ela parte do princípio de que é possível — e necessário — rir de tudo: das gafes amorosas e traições às tragédias maiores, com a sensibilidade que cada tema exige. «A risada é catártica», diz ela; «permite transformar dor em narrativa e compartilhar o peso individual para, depois, encará-lo de forma coletiva».
Io Mortah funciona como um fluxo de consciência que se transforma em diálogo com a plateia. A artista descreve o monólogo como um espelho, onde o público pode se reconhecer. «Há muito relato pessoal», conta Formenti, «mas o espetáculo foi sendo moldado ao longo de mais de um ano com as reações do público: comentários, impressões e experiências que foram incorporadas.»
O momento atual é fértil para a stand-up e a comédia de observação: «Me apaixonei por este formato há uma década, quando ainda era pouco praticado», lembra. Hoje, com a popularidade crescente, sua abordagem pessoal tem encontrado eco em plateias diversas, que passeiam do riso solto ao compartilhamento sincero após as sessões.
Além do palco, Formenti leva ao público seu livro «L’umorismo non salverà il mondo, ma salva te dal mondo», nascido de uma reflexão íntima: a comédia mudou sua vida e, por isso, ela acredita que é capaz de melhorar a existência de qualquer pessoa. A proposta do livro — e do trabalho de Formenti — é prática e pedagógica: o humor não seria um dom absoluto, mas algo que se treina, comparável ao aprendizado de uma língua estrangeira, com estruturas e exercícios que, com prática, tornam-se naturais.
Ver Laura Formenti no palco é observar um roteiro oculto da sociedade ser desfiado com ironia e afeto, é assistir à semiótica do viral convertida em humanidade compartilhada. Para quem busca rir e, ao mesmo tempo, se reconhecer, Io Mortah promete ser esse espelho incômodo e libertador.




















