Por Giuseppe Borgo — Depois dos confrontos em Turim, o governo de Roma prepara um novo pacote de segurança que pode ser levado ao Conselho de Ministros já na tarde de quarta‑feira, 4 de fevereiro. Os episódios de violência durante a manifestação em apoio ao centro social Askatasuna transformaram a cidade piemontesa em um catalisador político, pressionando o Executivo a apresentar respostas rápidas para dar segurança às ruas e respaldo às forças do Estado.
Na reunião de coordenação realizada ontem no Palazzo Chigi, estiveram presentes, além da presidente do Conselho, Giorgia Meloni, os vice‑presidentes Antonio Tajani (por videoconferência) e Matteo Salvini, os ministros Matteo Piantedosi (Interno), Guido Crosetto (Difesa) e Carlo Nordio (Justiça), além dos subsecretários Alfredo Mantovano e Giovanbattista Fazzolari. Participaram também os comandantes das principais forças de segurança: o chefe da Polícia Vittorio Pisani, o comandante geral da Arma dos Carabinieri Salvatore Luongo e o comandante geral da Guardia di Finanza Andrea De Gennaro.
Ao final do encontro, uma nota oficial do Palazzo Chigi reiterou o pleno apoio do governo às forças de ordem e, em resposta — ainda que sem citar diretamente — às declarações da secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, renovou um apelo à oposição por uma “estreita colaboração institucional“. Na prática, os líderes da maioria receberam mandato para propor uma resolução unificada sobre segurança às bancadas opositoras; esse documento poderia ser votado já nesta semana, em paralelo à audiência parlamentar do ministro Piantedosi sobre os acontecimentos de Turim.
No plano técnico‑jurídico, o texto ainda está sendo lapidado. Técnicos dos ministérios envolvidos trabalham para entregar um arcabouço normativo juridicamente sólido, após as primeiras observações do Colle/Quirinale. Fontes governamentais apontam que o confronto com a Presidência da República é um dos momentos mais sensíveis do dossiê — exigindo verificações constitucionais que podem atrasar a chegada do decreto em Cdm.
O caminho em estudo é o do desdobramento: separar medidas de urgente intervenção das que exigem tramitação ordinária parlamentar. Assim, o Executivo avalia editar um decreto‑lei para as ações imediatas, acompanhado por um projeto de lei que seguirá o rito comum. Fratelli d’Italia considera impraticável concentrar um grande volume de artigos num único decreto, justificando a estratégia do “arquivo dividido”.
No campo político, a Lega pressiona por medidas mais duras, como a introdução de uma caução para a realização de manifestações, enquanto surgem dúvidas internas em Fratelli d’Italia e em Forza Italia sobre alguns pontos do pacote — especialmente quanto ao equilíbrio entre segurança e liberdades civis. O guardasigilli Nordio voltou a Palazzo Chigi para continuar o confronto técnico, sinal da intenção do governo de afinar o texto antes de submetê‑lo ao exame colegiado.
Em linhas práticas, a construção deste pacote de segurança é uma operação de engenharia normativa: é preciso montar alicerces jurídicos sólidos, sem derrubar garantias constitucionais. A presidência busca transformar o impulso político em instrumentos legais que possam ser aplicados nas ruas — enquanto tenta erguer uma ponte com a oposição, para que a resposta ao aumento da violência não fique restrita ao baricentro governamental.
O risco político é claro: apressar medidas sem o cuidado técnico pode trazer fragilidades jurídicas; por outro lado, adiar respostas pode ser interpretado como passividade perante a escalada de confrontos. O resultado do próximo Conselho de Ministros e da eventual resolução parlamentar dirão se o governo conseguirá, com precisão de obra, conciliar imediata resposta e respeito às estruturas democráticas.






















