Por Giulliano Martini — Apuração em Roma. O Policlínico Universitário A. Gemelli Irccs emite um alerta técnico: os tumores em pessoas jovens estão em clara tendência de crescimento, com destaque para neoplasias do cólon, do pâncreas e do pulmão. O fenômeno, identificado tanto nos registros de câncer quanto na prática ambulatorial diária, configura-se como um desafio oncológico prioritário para os próximos anos.
Relatórios e estudos em curso no Gemelli indicam que as estimativas de epidemiologistas apontam para um aumento de até 80% nos casos de câncer de cólon com início antes dos 50 anos até 2040. A instituição apresenta um plano de desenvolvimento para oncologia que integra pesquisa sobre fatores de risco emergentes, diagnóstica multiômica, testes de novas terapias e uso intensivo de big data na vigilância e na gestão clínica.
O oncologista Giampaolo Tortora, responsável pelo Comprehensive Cancer Center do Gemelli e por atividades de Education & Training no projeto Giampaolo Tortora, explica que as causas desse aumento não estão totalmente esclarecidas, mas enumeram-se hipóteses com base em evidência emergente e cruzamento de fontes.
Entre os fatores mais sustentados pelos estudos estão o consumo de alimentos ultraprocessados, muito prevalentes entre adolescentes e adultos jovens, e a nutrição nos primeiros 10–12 anos de vida, período crítico para a formação de um microbiota intestinal saudável. Outros vetores em investigação incluem a exposição a microplásticos e nanoplásticos, além de certas toxinas bacterianas com potencial genotóxico — notadamente a colibactina produzida por cepas Escherichia coli pks+ e a Cdt de Campylobacter jejuni — relacionadas ao desenvolvimento e progressão de tumores de cólon e pâncreas.
Os fatores de risco clássicos permanecem centrais: obesidade, sobrepeso e diabetes mantêm papel relevante, pois promovem estados de inflamação crônica de baixo grau considerados pró-carcinogênicos. O Gemelli reforça que a interação entre esses determinantes tradicionais e os emergentes exige abordagens multidisciplinares.
No plano de políticas públicas, o aumento de casos precoces já suscitou recomendações no âmbito do Conselho da Europa para antecipar programas de rastreamento oncológico, especialmente para câncer de cólon e de mama. Algumas regiões da Itália já iniciaram programas-piloto nesse sentido. O Gemelli participa ainda de iniciativas europeias como o Jane2 (EU Joint Action on Networks of Expertise), voltado a tumores de pior prognóstico — com foco atual em pâncreas e pulmão e perspectiva de extensão a ovário e tumores de primária desconhecida.
O diagnóstico precoce, aliado a investigação multiômica e ao uso de grandes bases de dados para identificar padrões de risco, compõe a resposta proposta pelo centro. Em linguagem direta: a prioridade é conjugar prevenção populacional, adaptação dos programas de rastreamento e investigação translacional para reduzir a tendência de aumento entre os menores de 50 anos.
Esta análise técnica do Gemelli chega em véspera do Dia Mundial de Luta contra o Câncer e reafirma a necessidade de políticas públicas, educação nutricional e pesquisa coordenada. O cenário exige vigilância reforçada, atualização de protocolos e comunicação clara às populações jovens, tradicionalmente subexpostas às campanhas de prevenção.






















