Por Alessandro Vittorio Romano — As terapias long acting representam hoje um vento de mudança no cuidado com o HIV, abrindo caminhos para uma vida cotidiana mais serena e menos marcada pela rotina dos comprimidos. Em comentário sobre as recentes diretrizes da OMS sobre adesão terapêutica, o infectologista Massimo Andreoni, diretor científico da SIMIT, destaca que esses regimes de ação prolongada simplificam o tratamento e têm impacto direto no controle viral.
Andreoni lembra que a aderência à terapia antirretroviral é o coração da supressão viral: manter o vírus silenciado impede sua replicação, evita o surgimento de resistências, protege a saúde a longo prazo e, de forma decisiva, ajuda a interromper a transmissão. A terapia precisa ser seguida por toda a vida — atualmente não existem alternativas seguras para suspender o tratamento — e, por isso, qualquer mudança que torne essa jornada mais leve tem efeitos profundos para o indivíduo e para a saúde pública.
Na prática, as terapias long acting são administradas em intervalos espacados, em vez de diariamente, o que reduz a carga terapêutica e o desgaste emocional gerado pela lembrança constante da doença. Andreoni observa que tomar remédios todo dia pode se transformar numa fadiga silenciosa, afetando a qualidade de vida e a relação do paciente com seu próprio corpo — é como carregar um relógio que nunca para de apitar.
O ganho vai além do conforto: essas terapias favorecem a aderência especialmente em grupos mais vulneráveis — pessoas em situação de rua, quem vive com dependência química e jovens, que frequentemente enfrentam barreiras para seguir regimes orais diários. Para essas pessoas, reduzir a frequência das administrações é como devolver um ritmo respiratório mais natural à sua rotina.
Outro benefício sensível é a proteção da privacidade. Quem viaja ou passa temporadas com amigos e não quer expor a medicação diária encontra nas terapias long acting uma forma de viver com mais discrição e tranquilidade. Não precisar tomar comprimidos todos os dias permite que a vida com HIV seja vivida de forma mais reservada e serena, sem que o tratamento vire espetáculo.
Segundo a OMS, melhorar a adesão não só fortalece a saúde individual das pessoas vivendo com HIV, mas é também uma estratégia de saúde pública essencial para impedir novas infecções e avançar rumo ao controle da epidemia. Em suma, as terapias de ação prolongada são uma semente plantada com cuidado: se bem cultivada, pode florescer em melhor saúde, mais privacidade e menos transmissão — o tipo de mudança que toca tanto o corpo quanto a paisagem íntima da vida de cada pessoa.
Alessandro Vittorio Romano é redator da Espresso Italia, observador sensível das interações entre clima, rotina e bem-estar na vida italiana.
















