Chiara Lombardi — Em um novo capítulo que mistura suspense policial e reflexão histórica, a minissérie L’invisibile chega à televisão italiana para recontar a caçada que culminou na captura de um dos últimos grandes nomes da máfia: Matteo Messina Denaro. Produzida por Pietro Valsecchi e dirigida por Michele Soavi, a ficção em dois episódios estreia em primeira visão na Rai 1 nos dias 3 e 4 de fevereiro, sempre às 21h30, e ficará disponível em formato boxset no RaiPlay.
O roteiro acompanha o colonel Lucio Gambera, interpretado por Lino Guanciale, chefe da equipe do ROS dos Carabinieri encarregada de prender o homem que ao longo de décadas se tornou sinônimo de latitância e impunidade. Em determinado momento da narrativa, Gambera recebe do seu comandante um ultimato: “Temos de prender essa besta, e temos três meses para fazê-lo” — ponto de partida para uma investigação tensa, marcada por erros anteriores e pela pressão institucional.
Como observadora do cenário cultural, vejo em L’invisibile mais do que um reenactment policial: trata-se de um espelho do nosso tempo, onde a ficção televisiva assume o papel de arquivo emocional e semiótico. Soavi não apenas reconstrói procedimentos e cenas de investigação; ele convida o espectador a investigar o roteiro oculto da sociedade que produziu e protegeu figuras como Messina Denaro.
A minissérie respeita a estrutura concisa de dois episódios, o que favorece um ritmo quase cinematográfico — duas noites que funcionam como sessões complementares de um mesmo longa. A escolha de Lino Guanciale para o papel de Gambera reforça a aposta em uma interpretação contida, que privilegia a tensão psicológica e o peso do dever sobre o espetáculo da violência.
Para além do enredo policial, L’invisibile investiga as consequências institucionais e sociais de uma caça que se tornou obsessão pública: como os mecanismos do Estado lidam com a latência do crime organizado, e qual o custo moral de uma perseguição que se transforma em questão de honra nacional. É o tipo de obra que funciona como reframe da realidade — ao revisitar eventos conhecidos, ela nos força a repensar memórias coletivas e responsabilidades históricas.
O espectador que acompanha a estreia ao vivo encontrará uma narrativa compacta, com ênfase na operação e na psicologia dos que buscam justiça. Quem preferir a experiência on demand poderá acessar o boxset no RaiPlay, o que permite revisitar cenas e perceber pequenas decisões de direção que revelam camadas subtextuais importantes.
Em um momento em que produções sobre crime real e figuras controversas proliferam, L’invisibile se apresenta como um caso de estudo: não apenas sobre quem foi capturado, mas sobre o eco cultural que essa captura deixa — um espelho onde se reflete o roteiro mais amplo da sociedade italiana e europeia, e as cicatrizes que continuam a moldar nossa narrativa coletiva.
Datas e horários: estreia na Rai 1 terça-feira, 3 de fevereiro, às 21h30, e quarta-feira, 4 de fevereiro, às 21h30. Boxset disponível em RaiPlay.






















