Por Chiara Lombardi — Em um momento em que a cena política global parece repetir velhos espectros sob novas roupagens, a ficção se volta para o espelho social. Salvador, a nova série espanhola criada por Aitor Gabilondo e dirigida por Daniel Calparsoro, estreia em streaming pela Netflix em 6 de fevereiro de 2026 e promete ser mais do que um entretenimento: é um estudo em forma de drama-thriller sobre como o extremismo reverbera dentro das paredes domésticas.
Com oito episódios, a produção explora o impacto do ressurgimento de ideologias radicais — um retorno que, em muitas sociedades, ganhou adesão e visibilidade recentemente — não apenas na esfera pública, mas sobretudo no íntimo. A narrativa acompanha personagens cujas rotas pessoais se entrelaçam com as novas correntes políticas, revelando o abalo da suposta segurança da família e as tensões cotidianas da genitorialidade em um contexto de polarização.
Gabilondo, conhecido por sua habilidade em transformar tramas contemporâneas em reflexões sociais afiadas, desenha um roteiro onde o suspense não se limita a cenas de ação: ele reside nas palavras não ditas à mesa de jantar, nas decisões que moldam como pais e mães protegem (ou expõem) seus filhos, e no efeito corrosivo do discurso extremo sobre laços afetivos. Calparsoro, por sua vez, imprime um ritmo que alterna entre a urgência do thriller e a profundidade dramática, oferecendo um panorama visual que funciona como um verdadeiro reframe da realidade.
Assistir a Salvador é observar o roteiro oculto da sociedade contemporânea: como memórias coletivas, crises econômicas e narrativas de identidade convergem para alimentar movimentos que se dizem solução. A série não busca apenas chocar; ela investiga o porquê — e é neste ponto que se demonstra particularmente relevante como peça cultural. Para quem acompanha a produção europeia, o título entra no diálogo já aberto por filmes e séries que investigam a memória histórica e sua ressurgência em novas formas.
Além do valor narrativo, a série funciona como um alerta sobre os mecanismos pelos quais o extremismo penetra nas rotinas. Ao colocar a paternidade, a maternidade e as decisões parentais no centro do enredo, Salvador transforma o lar em lente crítica: o que fazemos para proteger nossas crianças, quais histórias transmitimos a elas, e como a política molda referências morais.
Para o público brasileiro e internacional, a chegada em 6 de fevereiro à Netflix abre espaço para debates sobre identidade, responsabilidade e memória — temas que não são meramente locais, mas ecos culturais que atravessam fronteiras. Em última análise, a série se apresenta como um convite a olhar além do espetáculo e questionar as estruturas que tornam possíveis tais resurgimentos.
Salve esta data: 06/02/2026. Prepare-se para ver, no enredo de Salvador, o reflexo de um tempo que pede vigilância crítica tanto nas ruas quanto nas salas de estar.






















