Billy Bass Nelson, o baixista que ajudou a moldar o som pioneiro dos Funkadelic e cofundador dos Parliaments ao lado de George Clinton, morreu em 31 de janeiro aos 75 anos. A confirmação veio pela página oficial de George Clinton e do coletivo Parliament-Funkadelic no Facebook; o New York Times noticiou a informação apontando que não foram detalhados local ou causa do falecimento. Fontes indicam que Nelson estava em cuidados paliativos havia algum tempo e que reportes prévios sobre sua morte tinham sido incorretos.
Nascido William Nelson Jr. em 26 de janeiro de 1951, em Plainfield, New Jersey, Nelson entrou no universo musical como baixista de apoio dos Parliaments, o grupo doo-wop que George Clinton liderava antes de transformar a cena funk. Foi Clinton — que na época conciliava sua vida musical com o ofício de barbeiro — quem o recrutou. Em 1967, Nelson deu um passo essencial ao batizar e integrar a nova encarnação sonora do grupo: Funkadelic, uma fusão audaciosa de funk com rock psicodélico que funcionou como um experimento sonoro e sociocultural.
O impacto de Nelson é perfeitamente audível nos primeiros discos do grupo: Funkadelic (1970), Free Your Mind … and Your Ass Will Follow (1970) e Maggot Brain (1971). Além de baixista, atuou como coautor e vocalista em faixas que sintetizavam a ousadia e a invenção do coletivo. Sua performance de palco — muitas vezes teatral e provocadora — virou marca registrada: célebre é a imagem do grande fraldão cênico que ele chegou a usar, um acessório que cristalizava o espírito irreverente e subversivo do grupo.
Ao longo dos anos, o projeto se expandiu e passou a operar como um amplo coletivo: o universo P-Funk reuniu dezenas de músicos que, em 1997, foram justamente lembrados com a entrada de 16 integrantes do Parliament-Funkadelic na Rock & Roll Hall of Fame.
Nem tudo foi um caminho linear de celebração. Após uma disputa financeira com Clinton, Nelson se afastou do núcleo original e buscou colaborações externas. Entre suas contribuições fora do P-Funk, destaca-se o trabalho com os Temptations, especialmente no sucesso “Shakey Ground” (1975). Nos anos 1990, ele retornou esporadicamente aos palcos com os P-Funk All-Stars e, em 1994, lançou seu primeiro álbum solo, Out of the Dark, sob o pseudônimo O.G. Funk.
Como analista cultural, não vejo a trajetória de Billy Bass Nelson apenas como a história de um músico virtuoso: ela é um microcosmo do roteiro oculto da música negra americana nas décadas de 1960 e 1970, quando gêneros se encontravam e identidades sonoras eram reescritas em tempo real. O nome de Nelson, gravado em baixo elétrico e atitude, é um espelho do nosso tempo — um lembrete de que a experimentação estética pode ser também um gesto político.
O legado de Nelson permanece nas linhas graves que moldaram uma era e inspiraram gerações. Em sua partida, o coletivo Parliament-Funkadelic perde uma de suas vozes originárias, e a cultura pop global se confronta com a ausência de um dos arquitetos do funk psicodélico. Enquanto ouvimos novamente Maggot Brain ou relembramos o solo em “Shakey Ground”, reverbera a pergunta que sempre fica depois das grandes perdas artísticas: como o som pode continuar a contar nossa história?
Para salvar este texto em WordPress: use o bloco “Texto/HTML” e cole o conteúdo já formatado. Sugiro incluir, na publicação, uma imagem de arquivo de Nelson em show (anos 1970) e mencionar na legenda a origem: “Billy Bass Nelson em apresentação dos Funkadelic, arquivo, anos 1970”.






















