Roma prepara um novo pacote de medidas sobre segurança pública que reúne intervenções variadas — da contenção de pessoas antes de protestos até um possível escudo penal que alcançaria não só agentes, mas também cidadãos. As propostas estão em análise técnica entre vários ministérios e ainda precisam ser decididas sobre o formato final: que pontos entrarão em decreto-lei e quais seguirão como disegno di legge ao Parlamento.
O governo, segundo interlocutores, trabalha em duas frentes: um decreto que poderia agregar normas mais urgentes e um projeto de lei com medidas estruturais. A Lega pressiona para que o decreto seja o mais “corposo” possível, embora isso dependa dos critérios de necessidade e urgência estabelecidos para esse instrumento. Enquanto isso, a primeira-ministra Giorgia Meloni fez um apelo à oposição por uma resolução unitária, mas permanecem pontos sensíveis — os nodi —, sobretudo em relação ao conteúdo do ddl.
Principais medidas em avaliação
Entre os capítulos em discussão, destacam-se:
- Fermo preventivo: a possibilidade de os oficiais e agentes reterem, em seus postos, por até 12 horas (Salvini propõe 48) pessoas identificadas durante controlos preventivos antes de manifestações, consideradas potencialmente perigosas para a ordem pubblica. É uma medida pensada para atuar antes do conflito, como um alicerce preventivo para proteger o livre exercício das manifestações pacíficas.
- Potenciamento do Daspo urbano: ampliar o alcance do instrumento (Dacur) para proibir o acesso às áreas urbanas de quem seja denunciado ou condenado por crimes cometidos durante protestos.
- Arresto em flagranza differita: hipótese de permitir a prisão em flagrante “diferida” contra quem pratique danos durante manifestações, facilitando ações imediatas contra depredadores sem ruptura processual.
- Escudo penal erga omnes: proposta de criar uma cláusula de não inscrição imediata no registro de indagados quando existirem cause di giustificazione. Algumas iniciativas parlamentares, como a de Fratelli d’Italia, preveem que o Ministério Público realize verificações preliminares em até 7 dias antes de proceder à inscrição no registro — uma solução que quer equilibrar a proteção de quem age em legítima defesa com a necessidade de apuração.
- Proibição de venda de lâminas a menores: atenção aos menores com veto à venda de facas (incluindo online) aos under 18. As sanções previstas variam de 500 a 3.000 euros, com aumentos até 12.000 euros em caso de reincidência. Trata-se de remover ferramentas que têm alimentado a violência urbana nas camadas mais jovens.
- Reforma das polícias locais, reforço do taser em cidades que ainda não o usam, desocupação de todas as casas ocupadas (e não apenas as primeiras), e o aumento do efetivo militar na operação Strade Sicure dos atuais 6.100 para 10.000.
Nem todas as medidas caberão no decreto-lei. Fontes governamentais dizem que, com alta demanda por normas, ao final o decreto deverá abrigar apenas alguns pontos considerados mais urgentes — por exemplo, a proibição de venda de facas a menores e o chamado escudo penal para agentes.
Tecnicamente, o debate tenta construir uma ponte entre a rapidez de intervenção do Executivo e a necessidade de salvaguardar direitos civis. Como repórter, enxergo aqui a arquitetura política de um tema que pesa diretamente na vida cotidiana: cada decisão governa a fronteira entre segurança e liberdades.
As próximas semanas serão decisivas. Reuniões técnicas nos ministérios e negociações partidárias vão definir se o pacote seguirá como um decreto robusto ou se se fragmentará em medidas distintas no Parlamento. A tensão política mostra o peso da caneta no desenho das regras que vão regular o uso da força, a proteção de civis e o tratamento de protestos nas ruas — elementos que formam os alicerces da convivência democrática.
Giuseppe Borgo — Espresso Italia






















