Stella Ferrari — Nesta sessão os papéis de tecnologia retomaram o protagonismo, transformando ontemzinha queda em hoje um verdadeiro motor de recuperação do mercado acionário. O forte rali do tech, impulsionado pelas expectativas em torno da inteligência artificial, ditou o ritmo desde a abertura e deu impulso também aos principais índices europeus.
As praças do continente abriram em campo positivo e, com velocidade crescente, ampliaram ganhos: Milão se aproxima de um avanço de +2%, beneficiada pelo comportamento dos bancos; Frankfurt registra cerca de +1,2% e Paris avança em torno de +0,5%. A leitura técnica é clara: o setor tecnológico atua como um motor de tração, enquanto o segmento financeiro fornece torque adicional à recuperação.
Na Ásia a aceleração foi ainda mais pronunciada, revertendo o forte tom vendedor de ontem. Tóquio sobe quase 4% e Seul registra um impulso superior a 6,5%. O movimento é liderado pelos gigantes dos semicondutores, Samsung e SK Hynix, os mesmos nomes que impulsionaram a queda anterior e que agora, em reação, puxam as bolsas para cima. Sydney também mostrou resiliência, com a bolsa local em alta apesar da decisão surpreendente do Reserve Bank of Australia de elevar juros — um exemplo de como a calibragem de juros pode funcionar como freios ou combustível, dependendo do contexto.
Outro ativo que chamou atenção foi o ouro, que apresentou recuperação significativa: após cair ontem para níveis abaixo de 4.400 dólares por onça, a cotação retornou hoje a patamares acima de 4.900 dólares por onça. Esse comportamento ilustra a volatilidade entre ativos de refúgio e os de crescimento, em um mercado que reavalia riscos e oportunidades em marcha acelerada.
Do ponto de vista macro, o cenário combina dois vetores essenciais: a renovada força do setor tecnológico, ancorada por avanços em inteligência artificial, e sinais divergentes de política monetária entre grandes bancos centrais. Enquanto parte do mundo ainda digere o aumento de taxas — com bancos centrais atuando como freios fiscais —, o apetite por risco reaparece, principalmente em nomes ligados à inovação e semicondutores. Essa dinâmica exige uma visão calibrada: aproveitar a aceleração do tech sem desconsiderar a possibilidade de correções abruptas.
Para gestores e investidores institucionais, a recomendação é clara: manter a disciplina na alocação, usar proteção seletiva em carteiras de risco e explorar oportunidades em mercados asiáticos, onde a retomada da tecnologia tem tração mais forte hoje. Em termos de estratégia, pensar em alocação como um motor de alto desempenho — com pistões bem calibrados (diversificação), lubrificação adequada (liquidez) e freios responsivos (hedges) — assegura que a carteira alcance rendimento sem sobreaquecer.
Em suma, o dia confirma que o setor de tecnologia continua a ser o principal acelerador do mercado global, com impacto imediato sobre as bolsas europeias e movimentos de alta expressiva na Ásia. Monitoraremos a evolução dos lucros dos gigantes de semicondutores e os próximos sinais das autoridades monetárias para avaliar a durabilidade desse rali.
Stella Ferrari — Economista sênior, Espresso Italia






















