Marco Severini — Em declaração concentrada e estratégica, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, pediu a revisão da decisão que, em 2022, resultou na exclusão da Rússia das competições do futebol internacional. À Sky News, Infantino argumentou que a suspensão imposta após a invasão da Ucrânia não atingiu os objetivos políticos desejados e, ao contrário, “criou mais frustração e ódio“.
Segundo o mandatário, é necessário repensar a medida e abrir exceções humanitárias que permitam que os jovens — “os rapazes e as raparigas da Rússia” — possam competir e treinar em outras partes da Europa. Para Infantino, manter canais esportivos abertos é parte de uma estratégia maior de preservação de vínculos sociais e culturais, uma forma de mitigar a escalada das tensões sem entregar o campo desportivo à lógica dos confrontos geopolíticos.
O presidente da FIFA também manifestou-se contra a possível exclusão de Israel de torneios internacionais, descrevendo tal medida como “uma derrota” para o esporte enquanto espaço de encontro. Ele propôs uma alteração estatutária da organização: o princípio de que um estado não deva ser excluído do futebol por ações atribuídas aos seus líderes políticos. “Alguém deve manter os laços abertos”, enfatizou, numa imagem que remete ao cuidado estratégico de preservar linhas de comunicação num tabuleiro de xadrez global.
Infantino criticou ainda as ameaças de boicote associadas à Copa do Mundo de 2026, a realizar-se nos Estados Unidos, motivadas por políticas migratórias ou questões de segurança. Observou que, até o momento, não houve apelos formais de empresas ou iniciativas diplomáticas para retirar apoio ao evento. “Por que então o futebol?”, perguntou, sublinhando a necessidade de reservar ao esporte territórios de encontro num mundo marcado pela polarização.
A proposta de Infantino abre um debate de natureza tanto ética quanto prática: até que ponto o futebol pode e deve funcionar como instrumento de mediação política? Há riscos reais de instrumentalização do esporte, mas também há custos diplomáticos e sociais em isolar atletas e comunidades. Num plano estratégico, a recomendação remete à ideia de alicerces frágeis da diplomacia: retirar completamente instituições culturais e esportivas do tabuleiro é um movimento que pode produzir efeitos contrários aos pretendidos.
Como analista, vejo nesta posição um movimento calculado — um pedido para reinstaurar canais de contato quando as relações estatais se deterioram. É uma tentativa de manter uma “zona neutra” onde as forças sociais possam atuar como amortecedor entre polos em atrito. Se a FIFA alterar seus estatutos, estaremos diante de um redesenho de fronteiras invisíveis na governança do esporte internacional — uma tectônica de poder que poderá influenciar, em permutations futuras, alianças e pressões diplomáticas.
Em suma, a chamada de Infantino não é apenas uma opinião sobre regulamentos esportivos: é um movimento estratégico no tabuleiro maior da geopolítica contemporânea, que convida a comunidade internacional a ponderar a utilidade e os perigos de excluir o coletivo esportivo das dinâmicas políticas.






















