Por Giuseppe Borgo — Na cerimônia de abertura da 145ª sessão do Comitê Olímpico Internacional, realizada no Teatro alla Scala, o Presidente da República, Sergio Mattarella, lançou um apelo firme pela tregua olímpica. Com a clareza de quem pondera o peso da caneta nas decisões públicas, Mattarella pediu que a força desarmada do esporte fale mais alto e faça silenciar as armas, reafirmando os valores que sustentam a arquitetura das Olimpíadas.
Do palco histórico, o Chefe de Estado definiu os Jogos de Milano-Cortina como “um grande evento global que lança uma mensagem ao nosso tempo tão difícil”. Em seu discurso, Mattarella destacou que as guerras e as tensões internacionais trazem escuridão e ferem a consciência das nações, enquanto o esporte acolhe, produz alegria, paixão e esperança — elementos essenciais na construção de uma convivência mais humana e justa.
O Presidente sublinhou que o esporte é também um veículo de respeito ao outro, uma provocação ao próprio limite e uma expressão de liberdade para progredir: “É encontro de paz: testemunha fraternidade na lealdade da competição com outros. É o contrário de um mundo onde prevalecem barreiras e incomunicabilidade”. Em sua fala, Mattarella contrapôs o espírito olímpico à violência, lembrando que qualquer ato violento gera mais violência, humilha dignidades e piora a qualidade de vida dos povos.
Ao lembrar os princípios que a República Italiana incorporou desde sua fundação, o Presidente evocou valores como lealdade, inclusão e fraternidade — alicerces que, segundo ele, foram adotados pelo país há oitenta anos. A mensagem teve ainda uma referência simbólica a Martin Luther King: “devemos ser a paz que desejamos ver no mundo”, uma esperança que o próprio esporte pode veicular.
Mattarella também mencionou as localidades que serão palco das competições — de Milano e Cortina até Bormio, Livigno, Anterselva e a Val di Fiemme — e ressaltou que Verona sediará a cerimônia de abertura das Paralimpíadas. Em tom pragmático, o Presidente reiterou o compromisso italiano em garantir que o tempo dos Jogos seja agradável para visitantes e cidadãos: oferecer cordialidade, hospitalidade e oportunidade de conhecer montanhas, cidades e vilarejos que guardam história e beleza.
Como repórter que observa a interseção entre as decisões de Roma e a vida real das comunidades, vejo neste discurso uma tentativa de construir pontes entre diplomacia e cidadania, entre a retórica das instituições e as experiências cotidianas de quem vive nas regiões anfitriãs. O apelo à tregua olimpica não é apenas uma convocação simbólica: é um pedido para que os alicerces da convivência sejam reforçados em momentos de confronto e fragmentação.
Num cenário internacional marcado por tensões, a mensagem de Mattarella busca transformar os Jogos em uma plataforma de reconciliação e convivência — uma obra prática, de construção de direitos e de derrubada de barreiras burocráticas e psicológicas. Resta agora à sociedade civil, às administrações locais e aos atores do esporte traduzirem essa palavra em ações concretas durante os dias de competição: segurança sem exclusões, acolhimento sem hierarquias e hospitalidade que realmente una, em vez de separar.
Em suma, o chamado do Presidente é claro e tem o peso institucional que se espera de quem representa a República: que a tregua olímpica seja respeitada e que o esporte recupere seu papel de ponte entre nações e entre cidadãos.






















