Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura nostalgia e estratégia televisiva, Carlo Conti, caracterizado de forma bem-humorada como Sandokan (ou “Carlokan”, brincou ele), anunciou em suas redes sociais que Can Yaman será co‑condutor da primeira noite do Festival de Sanremo 2026. A escolha não é apenas um aceno ao público fã do ator, mas um reflexo do eco cultural que a nova adaptação da clássica história da “Tigre da Malásia” provocou na audiência.
O retorno de Sandokan à grade da Rai1 teve picos de audiência impressionantes — com share acima de 34% e picos até 4,2 milhões de telespectadores — e a presença de Yaman no palco mais cobiçado da televisão italiana parece capitalizar esse momento. A convocação do ator coincide simbolicamente com os 50 anos da série original de 1976, protagonizada por Kabir Bedi e dirigida por Sergio Sollima, um marco na história da TV italiana que continua a reverberar como um espelho do nosso tempo.
Em entrevista ao TG1, Can Yaman já havia sinalizado sua disponibilidade: “Io al Festival, perché no?”. Poliglota — fala turco, inglês, italiano e espanhol — Yaman construiu uma carreira com alcance internacional. Atualmente está rodando na Espanha a série “El laberinto de las mariposas”, um thriller romântico dirigido por Alberto Ruiz Rojo e Iñaki Peñafiel, e está previsto seu retorno ao set para a segunda temporada de Sandokan.
Filho de um advogado e de uma professora de letras, nascido há 36 anos em Istambul, Yaman estudou no Liceu Italiano de Istambul e formou-se em Direito antes de abandonar a carreira jurídica para se dedicar à atuação. Seu percurso vai das novelas iniciais em 2014 ao estrelato internacional: em 2017 com “Bitter Sweet – Ingredienti d’amore” e, entre 2018 e 2019, com “Day Dreamer – Le ali del sogno”, que projetaram seu rosto para audiências globais. Em 2019 recebeu o título simbólico de Homem do Ano pela GQ.
Seu relacionamento com a Itália cresceu nos anos seguintes: em 2021 atuou ao lado de Claudia Gerini em uma campanha publicitária dirigida por Ferzan Özpetek; fez um cameo em “Che Dio ci aiuti 6”; e participou da campanha “Vieni in Turchia con me” para promover cultura e turismo turco. No mesmo ano fundou a associação Can Yaman for Children ETS, dedicada ao apoio socio‑sanitário de crianças e adolescentes.
Entre 2022 e 2024, Yaman protagonizou duas temporadas da série “Viola come il mare”, ao lado de Francesca Chillemi, e em 2025 foi protagonista da minissérie “Il Turco”. Agora, com o reboot da Rai de Sandokan aquecendo novamente o imaginário coletivo, sua presença em Sanremo assume dupla função: celebrar uma icônica memória televisiva e reescrever, sob novas luzes, o roteiro oculto da sociedade que consome cultura popular.
Como toda aparição em um festival que é também um grande palco de representações nacionais, a chegada de Can Yaman a Sanremo 2026 instala um jogo simbólico entre passado e presente — uma cena onde a nostalgia encontra a economia da atenção. E onde o entretenimento revela, mais uma vez, ser o espelho de desejos, identidades e transformações culturais.






















