Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma tarde que cheira a chuva de primavera sobre as colinas de Coverciano, Antonio Conte foi eleito vencedor da Panchina d’Oro 2024-2025. O técnico do Napoli recebeu o prêmio em cerimônia realizada no centro técnico, recolhendo 20 votos dos seus pares — um reconhecimento que chega como a colheita após uma estação de trabalho intensa e fecunda.
Visivelmente emocionado, Conte agradeceu aos colegas: “É sempre um prazer imenso receber este prêmio porque vem dos colegas, de quem sabe o que significa ser e fazer o treinador. Obrigado a todos”. Em sua fala imediata após a proclamação, dividiu o mérito com quem transpirou com ele ao longo da temporada: “Divido o prêmio com os meus jogadores, protagonistas absolutos da fantástica temporada do ano passado, com a minha equipe técnica, com todos que trabalham no Napoli e com todo o clube”.
O troféu foi entregue pelo presidente da FIGC, Gabriele Gravina, e pelo presidente da Lega Serie A, Ezio Simonelli, selando a cerimônia com a solenidade que a ocasião pede. Para Conte, o reconhecimento coroou a conquista do scudetto na temporada anterior: “É sempre um prêmio muito prestigioso; tê-lo conquistado no banco do Napoli, sabendo bem que vencer em Nápoles não é fácil, é muito importante”.
Eu, que observo a vida como quem percebe as estações, vejo neste momento um técnico que reaprende a sorrir. Conte comentou, entre leveza e responsabilidade, sobre as exigências do ofício: “Os sorrisos não devem faltar, mas no pré-jogo, durante e pós-jogo há o stress do trabalho, o acúmulo de cansaço que é difícil esconder. Ainda assim, é preciso ser otimista e procurar sempre soluções mesmo nas piores situações”.
Coverciano também é casa da Nazionale, e a cerimônia se abriu para falar dos próximos desafios: os play-off para o Mundial. Conte declarou preocupação com a lesão de Giovanni Di Lorenzo — “sou tão torcedor da Seleção que fiquei muito assustado com a lesão de Di Lorenzo; esperamos em um mês e meio a dois meses tê‑lo de volta, porque é um jogador importantíssimo para o Napoli e para a Itália”. Mantendo um tom otimista, acrescentou crer na qualificação: “Estamos fazendo um bom trabalho e sou convicto de que podemos ir ao Mundial e desempenhar um ótimo papel”.
Em tom mais reservado, Conte desviou de perguntas sobre o recém-chegado Allison, que já realizou exames médicos em Roma, e voltou ao tema que o inquieta: a superlotação de partidas no futebol moderno. “Somos todos de acordo no fato de que se joga demais. O problema é que se fala muito e se faz pouco. Li que a federação alemã está tentando se posicionar para agir. Reduzir o número de equipes na Serie A? Não é uma questão que deva competir comigo como treinador; posso apenas dizer que estamos todos de acordo — mídia incluída — que se joga demasiado e se corre demasiados riscos, mas, no fim, não se faz nada”. Sobre uma possível discordância de Massimiliano Allegri, Conte mudou o foco: “Não sei o que ele disse; certamente ele este ano não está jogando tanto”.
Ao final, a Panchina d’Oro não foi apenas um troféu entregue. Foi um instante em que o trabalho coletivo — como se fossem raízes sob a terra — emergiu em flor. Para Conte e para o Napoli, é a confirmação de um ciclo bem regado: respeito, competência e a persistente busca por equilíbrio entre pressão e bem-estar, como quem aprende a ouvir o tempo interno do corpo e da equipe.





















