Por Stella Ferrari — As bolsas europeias mostraram força nesta primeira sessão da semana, com um desempenho coeso que deu tração aos mercados do continente. A Piazza Affari encerrou em alta de 1,05%, alinhada aos ganhos vistos em Londres e Frankfurt, num movimento que demonstra uma retomada de apetite por risco após leituras macroeconômicas mais robustas.
O motor do avanço em Milão foi o setor bancário: o índice do segmento FTSE All Share Banks subiu 1,74%. Em destaque, Intesa Sanpaolo apresentou resultados superiores ao esperado — lucro em 2025 de €9,3 bilhões, alta de 7,6%. O novo plano industrial projeta receitas de €11,5 bilhões para 2029, das quais cerca de 95% seriam distribuídas aos acionistas, sinalizando uma política de retornos generosa que atrai investidores focados em rendimento.
No front externo, os mercados americanos também operaram no positivo, impulsionados pelo dado do índice ISM Manufatura: nos Estados Unidos, o indicador de janeiro subiu para 52,6 ante 47,9 em dezembro — leitura acima de 50 indica expansão. Com isso, os índices S&P 500 e Nasdaq avançaram aproximadamente meio ponto percentual, enquanto o Dow Jones chegou perto de +1%.
Entretanto, os investidores sentiram forte volatilidade nos metais preciosos. O ouro continuou sua descida, caindo 3,5% no dia e negociado pouco abaixo de 4.700 dólares por onça; desde a última quinta-feira, a desvalorização acumulada chega a 13%. A situação do prata é ainda mais severa: queda de 6,5% hoje e retração de 31% desde sexta-feira.
O mercado de energia também recuou com força: o petróleo Brent caiu 4,70% após confirmações de contatos diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, sendo cotado a cerca de 66,20 dólares por barril. No câmbio, o dólar ganhou terreno — o euro é negociado a 1,1803 dólar, longe do pico de 1,20 alcançado na semana passada.
Do ponto de vista estratégico, esse conjunto de sinais sugere uma reconfiguração no painel de risco: há rotação seletiva para setores com balanços robustos e políticas de retorno claras (como o bancário italiano) enquanto ativos considerados porto-seguro, especialmente metais, enfrentam um desmonte expressivo de posições. A leitura coordenada desses movimentos exige uma calibragem fina das expectativas — como quem ajusta os freios e a suspensão de um veículo de alta performance para uma curva técnica.
Para investidores institucionais e famílias de alta renda, a oportunidade está na revisão das alocações: avaliar exposição a bancos com fluxos previsíveis e revisar hedge em metais preciosos, ao passo que se monitora o impacto de conversas diplomáticas sobre o preço do petróleo. Em resumo, o mercado acelerou em direção a ativos de desempenho e liquidez — exige-se, agora, precisão de engenharia financeira.






















