Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia. A mais recente disputa no cenário da direita italiana mistura direito de marca, memória simbólica e tensão interna de um centro-direita que tenta erguer novos alicerces. O lançamento do movimento Futuro Nazionale, liderado pelo general Roberto Vannacci, desencadeou um confronto com a associação Nazione Futura, presidida por Francesco Giubilei.
A faísca formal foi a oposição apresentada por Nazione Futura ao Escritório da União Europeia para a Propriedade Intelectual (Euipo), com o objetivo de bloquear o registro do nome e do símbolo adotados por Vannacci. Segundo a associação, o nome “Futuro Nazionale” e o emblema — fundo azul com caracteres semelhantes e o tricolore na base — geram um risco significativo de confusão com a marca já estabelecida de Nazione Futura. A contestação aponta também para a violação de direitos anteriores e para a falta dos requisitos de novidade e distintividade previstos pela normativa europeia.
Além do argumento técnico, Nazione Futura reivindica a notoriedade nacional da própria marca e lembra que Vannacci, no passado, participou de eventos e convegnos promovidos pela associação, o que, na visão de Giubilei, reforçaria a ideia de apropriação simbólica.
A reação de Vannacci foi imediata e concisa. Em declaração à Adnkronos, o general respondeu a Giubilei com a frase que retomou o mote histórico: “me ne frego”. Ele acusou o presidente de Nazione Futura de instrumentalizar o episódio para inflar listas de associados e resumiu sua postura com um dito popular: “A paura fa 90!”.
Giubilei, por seu turno, levou a disputa para as redes sociais com um vídeo no Instagram em tom aparentemente irônico, porém politicamente contundente. Acusou Vannacci de estar “a curto di idee” e de ter copiado não só o nome e o logo, mas também o slogan “me ne frego”, remetendo à memória dos Arditi e de Gabriele D’Annunzio. Num gesto de retórica construtiva, convidou o adversário a “vir à nossa sede, beber uma camomilla e conversar”, num convite que mistura desafio e tentativa de desescalar o embate simbólico.
O confronto, porém, não ficou restrito à semântica da marca. Giubilei ampliou a crítica ao terreno político: afirmou que vários dissidentes do movimento de Vannacci, Il mondo al contrario, estariam migrando para Nazione Futura após se sentirem frustrados por “scorrettezze” e pela abordagem conflituosa dentro do espaço do centro-direita. Para Giubilei, a postura de Vannacci — ao atacar o governo e adotar posições divergentes do próprio campo — poderia inadvertidamente facilitar a ação da esquerda nas próximas eleições legislativas de 2027.
O episódio encerra-se com um golpe pessoal: Giubilei recorda que Vannacci já foi presença habitual em eventos de Nazione Futura, onde chegava “com o trolley e os seus livros” para vendê-los aos associados — ironizando que, nessas ocasiões, o general não demonstrava a mesma indiferença professada pelo lema “me ne frego”.
Mais do que uma disputa de nomes, este confronto expõe fissuras na arquitetura do centro-direita e evidencia como a construção de um novo projeto político passa, também, pela gestão de símbolos e patentes. A tensão entre preservação de marcas históricas e a emergência de novos protagonistas segue sendo uma ponte a ser construída com regras claras — ou então um terreno onde o “peso da caneta” pode definir rumos eleitorais.
Assinatura: Giuseppe Borgo — Espresso Italia, voz de política e cidadania.






















