Por Alessandro Vittorio Romano — Em um diálogo digital que respira o ritmo das mudanças sociais, o subsecretário da Saúde Marcello Gemmato traça um caminho onde política, economia e cuidado se encontram. O objetivo é claro: simplificar a selva normativa que hoje envolve o setor farmacêutico italiano e aproximar o remédio da rotina do cidadão.
Gemmato explicou que a reforma, cristalizada no Testo unico della farmaceutica, tem como meta facilitar o acesso aos cuidados e garantir maior sustentabilidade do sistema. Atualmente, segundo ele, há um mosaico de quase 800 normas que fragmentam o mercado — uma paisagem burocrática que precisa ser adubada para dar frutos ao paciente e à economia.
Uma das medidas práticas já em curso é a mudança do modelo de distribuição: medicamentos complexos que tradicionalmente ficam restritos às farmácias hospitalares serão descentralizados para as farmácias territoriais, públicas e privadas convenzionate — as farmácias ’embaixo de casa’. Como uma árvore que aproxima sua sombra do lar, essa alteração busca melhorar a adesão terapêutica: um paciente que tem o remédio mais perto cuida-se melhor, hospitaliza-se menos e contribui para a sustentabilidade coletiva.
O subsecretário citou um exemplo concreto: a transição das gliptinas para a distribuição territorial já trouxe um risparmio de 9,7 milhões de euros aos cofres do Estado. É uma pequena colheita que demonstra como práticas logísticas mais próximas também podem gerar economia real e imediata.
Além disso, Gemmato destacou a eliminação do mecanismo do payback de 1,83% — uma contribuição que representava entre 160 e 180 milhões de euros por ano — entendida como um gesto de relação mais leal com a indústria e de apoio a um ecossistema que faz bem ao cidadão.
Outra frente mencionada é a revisão do prontuário farmacêutico, um processo que pode liberar recursos para serem reinvestidos em inovação: “o verdadeiro ponto é encontrar um equilíbrio entre grande inovação e a tenuta dei conti pubblici”, disse Gemmato, lembrando que inovação e sustentabilidade caminham como mar e vento — precisam um do outro para seguir adiante sem afogar o barco financeiro.
O subsecretário também sublinhou que o Testo unico nasce de uma vasta participação de stakeholders — indústria, profissionais, cidadãos e política — e que a intenção é entregar uma reforma compartilhada e tempestiva. Segundo ele, quando o sistema se alinha, ganha o paciente, ganha a comunidade científica e ganha o tecido produtivo de um setor que vale 56 bilhões de euros e é um dos motores da economia italiana.
Como observador atento das rotas do bem-estar, vejo nessa proposta um sopro de primavera: não é apenas ajustar regras, é aproximar cuidados ao cotidiano, respeitar o tempo interno do corpo e cultivar hábitos que protegem tanto a saúde individual quanto a saúde das instituições. Se o Testo unico for implementado com sensibilidade, teremos não só uma legislação mais simples, mas uma paisagem de cuidado mais próxima e sustentável.






















