Ciao, viajante curioso — sou Erica Santini, e trago-lhe uma notícia que respira tanto a eficiência da burocracia europeia quanto a fragilidade dos nossos rituais de partida e chegada. A Comissão Europeia confirmou que a entrada em funcionamento total do Sistema de Entradas/Saídas (EES) foi adiada de abril para setembro de 2026, numa decisão tomada para mitigar o risco de verdadeiro caos nas viagens durante o pico do verão.
O novo sistema, que começou a ser instalado em outubro de 2025, já está em processo de implementação gradual nos aeroportos e portos do bloco, mas a expansão da tecnologia de biometria trouxe problemas visíveis: filas longas, tempos de espera elevadíssimos e passageiros que chegaram a perder voos. Onde o EES já funciona, viajantes isentos de visto — por exemplo do Reino Unido e dos Estados Unidos — têm de registar os seus dados biométricos em quiosques dedicados antes de entrar no espaço Schengen.
Inicialmente, o limiar para que os Estados-membros registassem chegadas de países terceiros foi fixado em apenas 10%. Desde 9 de janeiro, esse limiar subiu para 35%, impulsionando a utilização do sistema em dezenas de pontos de entrada. Porém, o ajustamento mostrou-se mais complexo do que o previsto: relatórios e testemunhos de passageiros apontaram para aumentos dramáticos nos tempos de processamento.
Um relatório da Airports Council International (ACI) Europe, publicado no final do ano passado, concluiu que a implementação gradual do sistema biométrico provocou um aumento de até 70% nos tempos de processamento nos controlos fronteiriços dos aeroportos, com esperas que chegaram a três horas nos períodos de maior movimento. Em Lisboa, as deficiências no controlo obrigaram mesmo à suspensão temporária do EES durante três meses depois de se registarem tempos de espera que terão atingido as sete horas — uma sensação de tempo dilatado que nenhum viajante deseja sentir antes de embarcar.
O porta‑voz da Comissão Europeia, Markus Lammert, afirmou numa conferência de imprensa a 30 de janeiro que “implementar um sistema desta dimensão é uma tarefa complexa”. Ao adiar a data, a Comissão pretende «dar aos Estados‑Membros as ferramentas necessárias para gerir eventuais problemas e, sobretudo, evitar o caos nas viagens de verão». Na prática, isto oferece maior flexibilidade às infraestruturas de transporte para escalonar a recolha de dados biométricos conforme a sua capacidade operacional — e, para muitos viajantes, significa que o passaporte poderá continuar a ser carimbado manualmente nas fronteiras ainda por alguns meses.
As críticas do sector não tardaram: a ACI Europe alertou para o «significativo desconforto» imposto aos viajantes e para o risco de «congestionamento muito mais grave e perturbações sistémicas», com possíveis implicações para a segurança. É um equilíbrio delicado entre modernizar os controlos com tecnologia e manter a fluidez da experiência humana — ali onde sentimos a textura do tempo nas paredes dos terminais, o cheiro do café de aeroporto e a excitação de partir.
Andiamo com calma: o adiamento até setembro de 2026 é uma pausa estratégica que visa preservar o «Dolce Far Niente» da viagem — ou pelo menos evitar que a espera transforme o início da aventura numa prova de paciência. Seguiremos atentos às próximas atualizações, para que possa continuar a saborear a história das suas viagens sem surpresas desagradáveis.






















