Por Stella Ferrari — Fevereiro mostra-se como um mês de forte turbulência para a mobilidade nacional, com uma nova onda de greves que atinge diversos elos do sistema: dos ônibus e metropolitano aos trens, passando por aviões e operações portuárias. Em termos práticos, o calendário aponta dias-chave com alto risco de interrupções e atrasos para quem depende do transporte público e de logística.
O primeiro impacto foi sentido já hoje, quando os trabalhadores da Trenord aderiram a uma paralisação de 24 horas convocada pelo sindicato Orsa. Apesar da adesão, a circulação deve ser mantida nas fasce s garantidas: das 6h às 9h e das 18h às 21h. A operadora também informou que, no caso de cancelamento dos serviços aeroportuais, serão disponibilizados ônibus sem paradas intermédias para os links com o aeroporto de Malpensa: a linha RE54 (Milão Cadorna – Malpensa Aeroporto) e a S50 (Stabio – Malpensa), com saída de ônibus em via Paleocapa 1 a partir de Milano Cadorna.
No âmbito regional, há outras mobilizações programadas: no Lácio haverá uma greve de quatro horas dos trabalhadores de contratos ferroviários da Elior Divisione Itinere/Polaris; em Rimini, o pessoal da Officina Manutenzione Ciclica da Trenitalia anunciou oito horas de paralisação (9h–17h), com potencial redução de convoglia.
O dia 6 de fevereiro destaca-se como ponto crítico. Em escala nacional, os portos param por 24 horas na greve do sector marítimo convocada pela USB Lavoro Privato, afetando trabalhadores de empresas portuárias e autoridades portuárias. No mesmo dia, há uma série de ações locais: em Bari o transporte público para por quatro horas (8h30–12h30) por uma chamada da Uilt‑Uil; em Teramo a Tua (Società Unica Abruzzese di Trasporto) entra em greve por 24 horas, convocada unitariamente por Filt‑Cgil, Fit‑Cisl, Uilt‑Uil e Faisa‑Cisal; e a Direzione II Tronco de Milão da Autostrade per l’Italia tem uma paralisação territorial de 8 horas também no dia 6.
Outro dia sensível é 16 de fevereiro: o setor aéreo será afetado por uma greve nacional de 24 horas que envolve os trabalhadores da Ita Airways e comissárias/os de bordo da Vueling. Nos aeroportos milaneses de Linate e Malpensa, o pessoal de terra da Airport Handling e da Alha, convocado pelo Ost Cub Trasporti, fará paralisação durante todo o dia — ainda que as fasces de garantia de 7h–10h e 18h–21h sejam observadas, assim como os chegadas internacionais e os ligações para ilhas já autorizadas pela ENAC.
Para fechar o mês, os maiores transtornos estão previstos para quem viaja de trem: as Ferrovie dello Stato programaram uma greve nacional que vai de 21h de sexta-feira, 27 de fevereiro, até 20h59 de sábado, 28 de fevereiro. Trata‑se de um apagão operacional que pode comprometer tanto o transporte de passageiros quanto o de carga, afetando a cadeia logística.
Do ponto de vista macroeconômico e empresarial, este quadro representa uma desaceleração não trivial do motor da economia — afeta mobilidade urbana, produtividade e a cadência das cadeias de abastecimento. Recomendo que empresas e gestores comecem a calibrar planos de contingência: antecipar reuniões, distribuir turnos, priorizar entregas críticas e monitorar em tempo real as comunicações de operadores e aeroportos. Para o cidadão, a palavra-chave é planejamento: confirmar serviços, considerar rotas alternativas e prever tempo extra para deslocamentos.
Como estrategista, observo que movimentos sindicais desta amplitude exigem uma leitura fina das pressões setoriais e das respostas institucionais — é a momentânea frenagem que testa o design de políticas públicas e a resiliência da logística. Em linguagem automotiva, é o momento em que precisamos ajustar a suspensão e a calibração dos freios fiscais e operacionais para manter a estabilidade do sistema.
Em resumo: fevereiro será um mês de atenção permanente. Mantenha-se informado junto às operadoras (Trenord, Trenitalia, Ita Airways, Vueling, aeroportos e portos) e trace rotas alternativas. A economia precisa que a mobilidade volte a operar com suavidade — até lá, a melhor estratégia é antecipar e proteger operações críticas.






















