Por Marco Severini — Em um movimento que evidencia as fricções crescentes entre espaços humanos e selvagens, um elefante matou um turista tailandês de 65 anos no Parque Nacional Khao Yai nesta manhã. A vítima, natural da província de Lopburi, estava fazendo uma caminhada com a esposa quando foi pisoteado pelo animal, conhecido como Oyewan, informou o responsável pelo parque, Chaiya Huayhongthong.
Segundo relatos oficiais, a esposa conseguiu escapar após a intervenção de guardas-parque que tentaram afugentar o pachiderma. As autoridades confirmaram que esta é a terceira morte atribuída ao mesmo animal, e há suspeitas de que Oyewan possa estar relacionado a outras fatalidades ainda não esclarecidas.
O episódio reacende um dilema que a Tailândia enfrenta há anos: a tensão entre populações humanas e elefantes selvagens, em um cenário onde o aumento da população de elefantes e as pressões sobre habitat e atividades humanas criam encontros perigosos. Chaiya afirmou que as autoridades se reunirão na sexta-feira para decidir o destino do animal. “Provavelmente decidiremos transferi-lo ou tentar modificar seu comportamento”, disse, sem detalhar os métodos que serão adotados.
É importante contextualizar: em janeiro do ano passado, um turista espanhol foi morto por um elefante enquanto tomava banho no recinto de um santuário no sul do país. Dados do Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Flora e Fauna da Tailândia indicam que, desde 2012, elefantes selvagens foram responsáveis por mais de 220 mortes, incluindo turistas.
Paradoxalmente, a população estimada de elefantes selvagens no país vem crescendo: os censos apontaram um salto de 334 indivíduos em 2015 para quase 800 no último ano. Esse aumento levou as autoridades a implementar estratégias de controle populacional, como a administração de vacinas contraceptivas em fêmeas, uma medida que revela a complexidade do problema — que não é apenas ecológico, mas também político e social.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro de interesses: o aumento das interações humanas com territórios tradicionais de elefantes expõe a fragilidade dos alicerces da diplomacia ambiental local. A gestão desses eventos exige opções de curto e longo prazo que equilibrem conservação, segurança pública e bem-estar animal. Transferências de indivíduos, programas de modificação comportamental e políticas territoriais recalibradas compõem as peças de um xadrez que a Tailândia precisa jogar com precisão.
Enquanto isso, as comunidades locais e o turismo observam com apreensão. A decisão que será tomada nas próximas reuniões determinará se a resposta do Estado priorizará soluções de manejo conservacionista, intervenções mais drásticas ou uma combinação das duas. Em qualquer cenário, a ocorrência em Khao Yai sublinha que a tectônica de poder entre humanos e grandes mamíferos continua a ser redesenhada — e que cada movimento no tabuleiro terá consequências duradouras.






















