Por Giulliano Martini, Espresso Italia. Uma análise do Instituto Norueguês para as Ciências do Esporte mostra que pequenos ajustes na rotina diária são suficientes para produzir efeitos mensuráveis na saúde da população. O estudo, publicado em Lancet, associa apenas 5 minutos de exercício moderado por dia e a redução de 30 minutos no tempo de sedentarismo a quedas significativas no risco de morte.
Fatos e metodologia
Os autores trabalharam com um conjunto de dados abrangente, reunindo informações de cerca de 135 mil pessoas em quatro países — Reino Unido, Estados Unidos, Noruega e Suécia. O objetivo declarado não foi emitir orientações personalizadas, mas quantificar os efeitos potenciais de incrementos muito modestos de atividade física ao longo do dia.
O ponto central do levantamento é prático: caminhar em ritmo acelerado por apenas 5 minutos diariamente aparece como ligado a uma redução do risco de morte na ordem de 10%. De modo complementar, diminuir em 30 minutos o tempo passado sentado correlacionou-se com uma redução de aproximadamente 7% nas taxas de mortalidade.
Quem mais se beneficia
Os efeitos são mais pronunciados entre os indivíduos menos ativos: o décil mais sedentário — cerca de 20% da amostra — apresentou os maiores ganhos quando incorporou os minutos extras de movimento. No conjunto, os autores estimam que até 10% das mortes prematuras poderiam ser evitadas se a população adotasse esse acréscimo mínimo e factível de atividade física.
Impactos sobre marcadores clínicos
Além das estatísticas de mortalidade, os dados apontam melhora nos chamados fatores de risco cardiometabólico: pressão arterial, níveis de glicemia e perfil de colesterol mostram tendência a melhora mesmo com esse esforço reduzido. Em outras palavras, a realidade traduzida pelo estudo é que o equilíbrio cardiometabólico responde a mudanças modestas no comportamento físico.
Avaliação de especialistas
O professor Aiden Doherty, do Department of Population Health em Oxford e não envolvido na pesquisa, qualificou a análise como ‘excelente’ e um avanço, segundo reportagem do Guardian. Para Doherty, o trabalho vai além do óbvio ‘mais atividade física é benéfico’ ao agregar elementos metodológicos que fortalecem a conclusão.
Limites e interpretação
Os autores ressaltam que os resultados são estimativas populacionais baseadas em associações observacionais, não prescrições clínicas individualizadas. O rigor do estudo vem do cruzamento de fontes e de um desenho que minimiza vieses, mas as conclusões devem ser aplicadas com prudência quando se trata de recomendações a indivíduos com condições médicas específicas.
Em síntese: a apuração indica que não é preciso uma revolução no estilo de vida para obter ganhos substanciais. Inserir rotineiramente 5 minutos de exercício moderado e reduzir o sedentarismo em meia hora pode produzir efeitos tangíveis sobre a saúde cardíaca e metabólica da população.
Giulliano Martini – Espresso Italia. Apuração baseada no estudo do Instituto Norueguês para as Ciências do Esporte, publicação em Lancet e comentário do professor Aiden Doherty (Oxford).






















