Por Chiara Lombardi — No cenário íntimo do programa de Fabio Fazio, Belen Rodriguez abriu uma janela sobre um período obscuro de sua vida e falou, com a precisão de quem interpreta um roteiro pessoal, dos efeitos que os anos recentes tiveram em sua saúde e imagem pública. Convidada em Che tempo che fa (Nove), a showgirl argentina contou que atravessou “3-4 anos muito difíceis”, marcados por episódios de ataques de pânico e situações que a fizeram sentir-se diminuída.
Ao revisitar um episódio em que compareceu a um evento logo após um ataque de pânico, Belen descreveu a necessidade — profissional e emocional — de não dizer “não” e seguir em frente. Admitiu que recorreu a medicamentos que a deixaram em um estado de intontamento: “Eu me encontrei muitas vezes nesse estado de atordoamento. Em outras ocasiões, eu ia dormir. Naquele evento de trabalho, para continuar e não dizer não, me encontrei naquela situação”, relatou.
Há uma delicadeza quase cinematográfica na forma como ela narrou o constrangimento pós-episódio: sentir-se “pequena”, como se tivesse se despido em público. “É óbvio que me envergonha; quando vi como foi, me senti pequenininha. É um pouco como se despir. Depois você sai mais forte, percebe quanto sofre com esses ataques e, ao se ver assim, diz ‘basta, não tenho mais vontade’”, disse a artista, em um momento que ecoa a ideia do sofrimento privado projetado no palco público — o espelho do nosso tempo.
Em uma reflexão sobre pertencimento e identidade, Belen lembrou seus quase 20 anos de vida na Itália: “Os italianos para mim são uma grande família que me acompanhou. Fazem 20 anos, não me deram o passaporte italiano”. Ela ainda falou de seu casamento com Stefano De Martino, lembrando que a união (2013–2017) terminou com um pedido de divórcio antes dos cinco anos — “não fui nem esperta”, afirmou com ironia contida.
O olhar público agora se volta para o próximo compromisso da apresentadora: o Festival de Sanremo 2026. Belen confirmou sua presença na noite dos duetos, desta vez não como cantora. Lançou um teaser sobre a programação — “há alguns personagens improváveis” — e citou que Samurai Jay interpretará “Ossessione”. “Podemos dizer que eu estarei lá, o resto não se pode dizer…”, provocou.
Neste testemunho franco, Belen Rodriguez não entrega apenas uma confissão pessoal; oferece um reframing sobre vulnerabilidade e carreira, lembrando que a exposição midiática funciona como um roteiro em que a crise pode, se bem interpretada, transformar-se em ato de resistência. Para quem a acompanha há duas décadas, a narrativa é também um espelho das expectativas sociais sobre mulheres em evidência: resistência, reinvenção e a busca por um lugar — literal e simbólico — numa cultura que ela aprendeu a amar e criticar.
Enquanto o público aguarda sua passagem por Sanremo, fica a lembrança de que a celebridade é, muitas vezes, o palco onde se ensaiam e expõem fragilidades privadas. E que, por trás de cada imagem polida, pode haver um processo de cura que merece ser visto com empatia crítica.






















