Olimpíadas de Milão-Cortina impulsionam férias na neve: 6,2 milhões de italianos devem viajar
As Olimpíadas de Milão-Cortina já atuam como um catalisador para o turismo de inverno na Itália. Segundo estimativas da Federalberghi, serão cerca de 6,2 milhões de pessoas que tirarão férias nas montanhas: a maioria — aproximadamente 4,4 milhões — partirá em fevereiro, enquanto o restante escolherá março para as viagens.
Na minha leitura de mercado, essa movimentação representa mais do que um pico sazonal; é a ativação de um circuito de confiança e demanda que age como o motor da economia regional. O presidente da Federalberghi, Bernabò Bocca, aponta que cerca de 2 milhões de italianos assistirão às provas presencialmente, o que aumenta a visibilidade e a pressão por serviços hoteleiros e infraestrutura local.
A pesquisa encomendada à agência Tecnè pela Federalberghi mostra que o turismo será majoritariamente doméstico: 97% dos deslocamentos ocorrerão dentro dos confins nacionais. Territorialmente, as montanhas do Norte lideram as preferências, e o formato de hospedagem mais procurado permanece sendo o hotel, reforçando a necessidade de uma oferta hoteleira calibrada para alta performance.
A ministra do Turismo, Daniela Santanchè, adota um tom prudente sobre os impactos no curto prazo: segundo ela, os verdadeiros ganhos do evento sobre o turismo de montanha serão colhidos daqui a 12 a 24 meses. “Não podemos medir o sucesso agora”, afirmou, lembrando fatores como controles, segurança e impactos familiares que podem moderar fluxos imediatos. Em outras palavras, trata-se de um investimento em capital reputacional e de infraestrutura cujo retorno exige tempo — uma calibragem estratégica de políticas, não um acelerador instantâneo.
Do ponto de vista do consumidor, os números mostram que a atenção está elevada: 84% dos adultos italianos (cerca de 42 milhões de pessoas) declaram conhecimento do evento, e 55% pretendem acompanhar as competições por TV, streaming, redes sociais, sites ou rádio. Esse engajamento híbrido — entre presença física e acompanhamento remoto — é uma oportunidade para monetizar audiência e expandir serviços digitais ligados à hospitalidade e entretenimento.
Para gestores e investidores do setor, a mensagem é clara: é hora de ajustar o motor operacional. Melhorar canais de reserva, treinar equipes para picos de demanda, e preparar ofertas de luxo e midscale em destinos-chave podem transformar a exposição olímpica em receita recorrente. Em termos de políticas públicas, a prioridade deve ser a coordenação logística, segurança e comunicação para que a experiência do visitante reflita a promessa do evento.
As Olimpíadas de Milão-Cortina acendem a chama do turismo de inverno e colocam em movimento um ecossistema que, bem gerido, pode acelerar tendências positivas para as regiões montanhosas italianas. A aceleração já começou; a verdadeira velocidade de cruzeiro, porém, virá com a estratégia pós-evento e a continuidade de investimentos nos próximos 12 a 24 meses.
Fonte: Federalberghi; pesquisa Tecnè; declarações oficiais do presidente Bernabò Bocca e da ministra Daniela Santanchè.






















