Tethys completa 40 anos de trajetória como uma luz orientadora na pesquisa e na defesa dos oceanos. Fundado em 1986 por Giuseppe Notarbartolo di Sciara e Egidio Gavazzi, o instituto científico antecipou debates, formou gerações de biólogos marinhos e semeou políticas públicas que hoje são referência internacional.
A história começa, como em um filme de memórias, num cais veneziano: ainda menino, Notarbartolo di Sciara afastou-se das mesas de uma festa, deitou-se no fundo de um barco e deixou-se iluminar pelo espetáculo humilde e febril de um trecho de mar — anêmonas, paguros, ouriços e pequenos crustáceos. Aquele encantamento infantil cresceu e evoluiu: depois de estudos nos Estados Unidos e trabalhos com mamíferos marinhos, foi ele quem, ao lado de Gavazzi, deu forma institucional a uma paixão que virou missão.
Em sua trajetória, o instituto não se limitou a somar publicações e encontros científicos — hoje são mais de 800 títulos e eventos —; também foi protagonista na criação do Santuario Pelagos, área marinha protegida estabelecida em 1999 por um acordo entre Itália, França e o Principado de Mônaco. A articulação política e científica que levou à criação do santuário contou, entre seus vetores decisivos, com o apoio direto do então príncipe Ranieri III, mobilizado por Notarbartolo di Sciara. Foi um exemplo de como diálogo institucional e coragem científica podem iluminar novos caminhos para a conservação.
Ao longo dessas quatro décadas, Tethys firmou-se como referência internacional na pesquisa de cetáceos — golfinhos, baleias e outros grandes mamíferos marinhos — e no estudo de habitats costeiros e pelágicos do Mediterrâneo. O trabalho combina rigor científico com uma visão de proteção que vai além da mera sobrevivência: “A sobrevivência não basta, à fauna devemos garantir qualidade de vida“, é um princípio que orienta as próximas batalhas do instituto.
Os desafios permanecem e se renovam: o impacto do tráfego marítimo em áreas de reprodução e migração, ruído subaquático, poluição por descartes e mudanças climáticas continuam a ameaçar populações de cetáceos no Mar Ligure e no Mediterrâneo. Mapas de riscos, campanhas de sensibilização, monitoramento contínuo e propostas de gestão do tráfego naval fazem parte do repertório de ações que Tethys desenvolve junto a parceiros e autoridades.
Na recente celebração realizada no Acquario Civico de Milano, pesquisadores, colaboradores e simpatizantes reuniram-se para refletir sobre o legado e os próximos passos. Foi um gesto simbólico e prático: iluminar a relevância da ciência aplicada, fortalecer redes e inspirar políticas que priorizem não só a preservação, mas a qualidade de existência das espécies marinhas.
Egidio Gavazzi, além de cofundador do instituto, trouxe para a iniciativa a experiência da imprensa naturalista — sendo idealizador das revistas Airone e Aqua — contribuindo para que a ciência falasse também ao público amplo. A aliança entre divulgação, ciência e ação política é parte essencial do método de Tethys.
Ao olhar para o futuro, Tethys mantém uma bússola clara: transformar conhecimento em proteção concreta. Sem ingenuidades, mas com otimismo sofisticado, o instituto busca cultivar soluções que garantam um horizonte límpido para as gerações humanas e não humanas. Como uma curadora de progresso, vejo em iniciativas assim não apenas a defesa de espécies carismáticas como golfinhos e baleias, mas o semear de um legado ético que fortalece nossas comunidades costeiras e a saúde dos mares.
Reportagens e vídeos publicados pela Espresso Italia sobre as maravilhas do Santuario Pelagos, encontros com famílias de cachalotes ao largo de Sanremo e mapeamentos das rotas marítimas de risco ampliam a visibilidade dessas questões e reforçam a urgência de ações coordenadas. A celebração dos 40 anos de Tethys é, portanto, uma chamada à responsabilidade coletiva: a proteção dos oceanos exige ciência, políticas e corações dispostos a iluminar novos caminhos.






















