Por Aurora Bellini — Em um gesto que iluminou um novo horizonte pessoal e profissional, Alessandro Medici trocou a rigidez dos ternos e das reuniões por coleiras, brincadeiras e manhãs cheias de sol. Hoje com 38 anos, natural de Piacenza e residente em Turim, ele é conhecido como dog sitter e dirige o que se tornou o maior asilo para cães da Itália, atraindo cerca de 120 mil seguidores entre Facebook, Instagram e TikTok.
“Fechei com as formalidades e com as roupas engessadas”, diz Alessandro, que durante anos ocupou cargos de responsabilidade como administrador comercial em uma grande multinacional. Apesar do respeito e do salário reconfortante, vivia em um estado permanente de desconforto: sofria de ansiedade e teve episódios de ataques de pânico. Foi o apoio da esposa que acendeu a clareza — ele estava reprimindo um antigo sonho: abrir um espaço dedicado aos cães.
Com a rescisão do contrato e a indenização na mão, ele realizou o primeiro investimento simbólico e prático: a compra do primeiro Bau Bus, um veículo pensado para transportar e acolher caninos com segurança e afeto. A partir daí cresceu a ambição e a ação: nasceu um centro que hoje é referência, um lugar onde dezenas de animais convivem, socializam e florescem sob cuidados profissionais.
O vínculo com os cães vem de longa data. “Minha tia era condutora cinófila em exposições. Ainda menino eu fiquei fascinado pela confiança que se cria entre homem e animal”, lembra Alessandro. Apesar dessa atração natural, a trajetória inicial o levou para a faculdade de Química e Tecnologias Farmacêuticas, caminho que parecia apontar para a carreira de informador científico, seguindo os passos do pai. Entre exames adiados e escolhas desconfortáveis, ele retomou o contato com os cães: aos 20 anos começou como dog sitter e encontrou ali a sua verdadeira alegria.
Por um tempo, pressões sociais e a sedução de uma carreira tradicional o puxaram de volta para a empresa. Subiu degraus, alcançou cargos e vestiu gravatas novamente, mas o vazio persistia. O retorno ao cerne de seu afeto pelos animais não foi uma fuga impulsiva: foi uma decisão consciente de cultivar um legado de bem-estar, que alia propósito e profissionalismo.
Hoje, Alessandro lida diariamente com dezenas de cães, prende coleiras, organiza passeios e administra uma equipe dedicada. Seu centro reúne atividades estruturadas, espaços seguros e rotinas que estimulam comportamento saudável e socialização. Nas redes, ele compartilha conteúdos que iluminam práticas de cuidado, dicas de bem-estar e histórias afetivas — um convite para semear uma cultura de respeito e amor pelos animais.
Ao transformar uma inquietação pessoal em serviço comunitário, Alessandro não apenas reconstruiu a própria serenidade; ele também criou um lugar onde muitas famílias encontram confiança para deixar seus animais. É uma história de transformação que revela caminhos possíveis: quando alinhamos talento, coragem e compaixão, semeamos inovação e abrimos um horizonte límpido para a convivência humana e animal.
Na voz da Espresso Italia, histórias assim nos lembram que trajetórias de vida podem refulgir com novos sentidos — e que, às vezes, a luz que procuramos está no afeto simples de uma coleira bem presa e de um dia bem vivido entre cães.






















