Em um pronunciamento sóbrio ao término do Angelus, Papa Leone XIV fez um apelo claro e sintético: que se restabeleça a tradicional tregua olímpica por ocasião dos Jogos de Milano‑Cortina. O Pontífice recordou que, a partir da próxima sexta-feira, terão início os Jogos Olímpicos de Inverno — seguidos, em sequência, pelos Jogos Paralímpicos — e dirigiu seus votos aos organizadores e aos atletas envolvidos.
“Dirijo meus cumprimentos aos organizadores e a todos os atletas. Estas grandes manifestações esportivas expressam uma mensagem vigorosa de fraternidade e reacendem a esperança de um mundo em paz”, afirmou o Papa, ressaltando o significado histórico da antiga prática que acompanha o decorrer dos jogos. Em seguida, sublinhou sua expectativa de que aqueles que exercem responsabilidades e posições de autoridade “saibam aproveitar a ocasião para gestos concretos de distensão e de diálogo”.
Como analista atento aos contornos da geopolítica, interpreto esse apelo papal não apenas como um gesto simbólico, mas como uma tentativa de inserir um elemento de estabilidade no tabuleiro internacional. A invocação da tregua olímpica evoca uma tradição com raízes antigas — a memória coletiva das antigas cerimônias que suspendiam hostilidades para permitir a competição — e transforma os Jogos em um pequeno palco onde se podem testar, simbolicamente, mecanismos de convivência e de redução de tensões.
Neste momento, quando as linhas de influência global passam por uma tectônica cada vez mais convulsa, o pedido do Pontífice atua como um apelo aos alicerces frágeis da diplomacia: que as capitais e as autoridades aproveitem a visibilidade e o espírito de fraternidade do evento para promover gestos concretos de distensão. Não se trata de ingenuidade, mas de reconhecer que a diplomacia também se constrói em momentos públicos de alto simbolismo, onde sinais de boa vontade podem abrir espaços para negociações posteriores.
Os Jogos de Milano‑Cortina oferecerão, nos próximos dias, um palco atlético de alta intensidade e, simultaneamente, uma janela de oportunidades diplomáticas. Espera-se que a magnitude midiática permita reforçar mensagens de unidade e cooperação entre povos; o apelo do Papa é, portanto, um movimento decisivo no tabuleiro — um convite para que autoridades transformem um gesto simbólico em atos reais de diálogo e redução de hostilidades.
Em suma, a invocação da tregua olímpica por parte de Papa Leone XIV é uma chamada à responsabilidade para com a paz: um lembrete de que, mesmo em tempos complexos, existem ritos coletivos capazes de reativar a esperança e redesenhar, ainda que temporariamente, fronteiras invisíveis entre interesses.






















